SC contabiliza mais de 600 mortes devido a fenômenos climáticos nos últimos 35 anos

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Nos últimos 35 anos, ao menos 615 pessoas morreram em decorrência de inundações, deslizamentos, desmoronamentos e tornados em Santa Catarina, segundo dados do Atlas de Desastres Naturais em SC e da Defesa Civil Estadual.

Região Sul é vice-campeã do mundo em tornados

O perímetro compreendido pelos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, oeste do Paraná e pelo norte da Argentina e Paraguai é a segunda maior área em incidência de tornados do mundo. Segundo pesquisa, as condições climáticas geradas pelo choque de massas de ar frio da Patagônia com ventos tropicais formados na Amazônia propiciam a ocorrência de tornados


Em 2009, foram oito mortes: três delas ocorridas entre os dias 27 e 28 de setembro nos municípios de Mafra, Augusto Vitória e Blumenau. As outras cinco ocorreram nos dias 8 e 9 de setembro - quatro em Guaraciaba, município no oeste do Estado que, na época, foi atingido por tornados; e uma em Araranguá, no litoral sul, durante uma tempestade.

Nos últimos dias, mais de 11 mil pessoas tiveram que sair de casa em Santa Catarina - 9.093 desalojados (acolhidos em casas de amigos e parentes) e 2.370 desabrigados (conduzidos a abrigos públicos) em 98 municípios. Aproximadamente 104 mil pessoas sofreram algum tipo de prejuízo no Estado, entre elas 17 ficaram feridas. O número de cidades em situação de emergência atualmente está em 70.

No ano passado, após três meses de precipitações intensas, apenas nos dias 22 e 23 de novembro choveu o equivalente à média histórica para o mês em diversas cidades do vale do Itajaí e litoral catarinense. A tragédia deixou 135 pessoas mortas e 78 mil desabrigadas e desalojadas.

Sul não tem radares suficientes para prever fenômenos climáticos

Atingida por fenômenos climáticos extremos com frequência, a região Sul do Brasil não possui radares meteorológicos suficientes para cobrir todo o seu território, segundo meteorologistas entrevistados pelo UOL Notícias.


Na época, em entrevista ao UOL Notícias, a geóloga e pesquisadora do grupo de estudos de Desastres Ambientais da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Maria Lúcia de Paula Herrmann, admitiu que o Estado foi atingido por uma quantidade incomum de chuva, mas ressaltou que, ao longo dos anos, não houve o esforço necessário para impedir que os fenômenos meteorológicos matassem tantas pessoas. "Há muito tempo essas tragédias vêm se repetindo em Santa Catarina e nada de efetivo foi feito por parte do poder público", disse.

Quase um ano após o desastre, Herrmann avalia que o governo começou a priorizar o tema e a tratar a questão com mais atenção, mas que ainda "falta muito o que fazer". "O que aconteceu foi uma catástrofe. Era necessário reverter um pouco esse quadro e, por esta razão, algumas respostas apareceram. Mas o problema não está totalmente sanado."

A pesquisadora cita a criação do grupo Reação, composto por integrantes do governo do Estado, de prefeituras, defesas civis e especialistas, que elaborou um plano de restauração das regiões atingidas e de prevenção nas áreas de risco. O grupo foi responsável por gerir os mais de R$ 200 milhões destinados pelo governo federal a Santa Catarina na época das enchentes.

"Está todo mundo com medo", diz morador de Ilhota

Dez meses depois, a pequena Ilhota (a 112 km de Florianópolis) vive novamente o drama da chuva intensa, que deixou 47 mortos na cidade em novembro do ano passado. "Todos querem ir embora, estão desanimados. É calamidade mesmo, está todo mundo com medo, mas medo mesmo", disse Leoni Reinert, de 42 anos.


"O gasto nessa área foi muito grande. Hoje já existe uma atuação constante em monitorar os fenômenos, orientar e prevenir a população. Os projetos estão aparecendo, inclusive mapeamentos dos locais de risco estão sendo feitos por universidades", afirma Herrmann.

Mais desastres
A maior enchente da história de Santa Catarina ocorreu em março de 1974, quando o nível do rio Tubarão, no sul do Estado, subiu mais de 10 metros e inundou o município de mesmo nome. Na época, 199 pessoas morreram e 65 mil ficaram desabrigadas.

Em julho de 1983, foi a vez do rio Itajaí-Açu subir mais de 15 metros, inundando 90 cidades, entre elas Blumenau, Itajaí e Rio do Sul. Ao todo, foram 49 mortes e 198 mil desabrigados.

No ano seguinte, uma nova tragédia, no mesmo cenário: o Itajaí-Açu sofreu uma cheia anormal e inundou várias cidades do vale do Itajaí. Em média, 40% das populações de Blumenau, Brusque, Gaspar e São João Baptista ficou desabrigada (70 mil) ou desalojada (155 mil).

O fenômeno meteorológico El Niño provocou, em fevereiro de 1987, enchentes em 15 municípios catarinenses, deixando dois mortos e 2.775 desabrigados. Em maio do mesmo ano, o fenômeno voltou a atuar, agora nas regiões serrana, norte e oeste, deixando cinco mortos e 3.356 desabrigados.

Em dezembro de 1995, foi a vez da Grande Florianópolis e do litoral sul do Estado sofrer com inundações e deslizamentos de terra. Ao todo, 27 municípios decretaram situação de emergência. O saldo: 40 mortes e 28.625 desabrigados. Araranguá, Forquilinha e Jacinto Machado foram as cidades mais atingidas.

Dois anos depois, o El Niño voltou a provocar estragos na região e causou inundações de grandes proporções nos meses de janeiro e outubro. Em janeiro, 35 municípios foram afetados, 14.267 pessoas ficaram desabrigadas e sete mortes foram registradas. Já em outubro, as cheias inundaram 37 cidades, deixando 8.777 desabrigados e dois mortos.

Em março de 2004, o ciclone tropical Catarina atingiu o litoral e o sul de Santa Catarina, além do nordeste do Rio Grande do Sul com ventos de até 150 km/h. Ao menos 40 municípios foram atingidos, 28 mil casas danificadas e 95 destruídas. Duas pessoas morreram, mais de 300 ficaram feridas e 23 mil foram desabrigadas ou desalojadas.

As demais mortes foram registradas em eventos isolados ao longo dos últimos 35 anos.

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