Stephanes afirma que ação do MST em São Paulo é caso de polícia

Danilo Macedo
Da Agência Brasil
Em Brasília

O ministro da Agricultura, Reinhold Strephanes, disse nesta quarta-feira (7) que a invasão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a uma fazenda produtora de laranja, no interior de São Paulo, é "intolerável" e deve ser tratada pela polícia.

"Foi lamentável e não é caso para o ministro da Agricultura. É caso de polícia, uma coisa intolerável, isso não poderia existir. Acho que o governo tem que tomar as medidas necessárias por meio de suas instituições", afirmou Stephanes, após entrevista coletiva para comentar o primeiro levantamento da safra de grãos 2009/2010.

Os integrantes do movimento derrubaram pés da laranja da fazenda Santo Henrique, pertencente à empresa Cutrale e situada no município de Borebi, a 300 quilômetros da cidade de São Paulo. Segundo os sem-terra, a ação teve o objetivo de abrir espaço para plantação de outras culturas.

O MST desocupou a fazenda na manhã desta quarta-feria após a chegada dos policiais militares responsáveis pela reintegração de posse. Segundo a PM e a coordenadora do MST na região, Márcia Merisse, não houve nenhum tipo de confronto.

A Cutrale, dona da área, conseguiu na Justiça de Lençóis Paulista uma liminar de reintegração de posse para desocupação em 24 horas, sob pena de despejo forçado e pagamento de multa diária de R$ 500 por pessoa.

O MST, que ocupava a fazenda desde o dia 28, alega que a empresa usa ilegamente 2,7 mil hectares de terras griladas para a plantação de laranjas. "A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos", declarou o movimento em nota.

Carlos Otero, representante da Cutrale, informou que "as terras pertencem à empresa, são produtivas e geram centenas de empregos".

Em nota, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) disse que a fazenda Santo Henrique "é objeto de ação reivindicatória proposta pela autarquia em agosto de 2006" e aguarda decisão da Justiça Federal sobre a posse do imóvel.

De acordo com o Incra, a fazenda está incluída no Núcleo Colonial Monção, uma área de 40 mil hectares espalhadas entre os municípios de Agudos, Águas de Santa Bárbara, Borebi, Iaras e Lençóis Paulista .

Parte dessas terras foi comprada pela União e outra recebida pelo governo federal como pagamento de dívidas das companhias de Colonização São Paulo e Paraná.

Em 1997, foi proposta a primeira ação reivindicatória, e o Incra obteve tutela antecipada de 30% do imóvel, o que resultou na criação do assentamento Zumbi dos Palmares em 1998. Em 2007, a Justiça Federal deu a posse da totalidade do imóvel (8 mil hectares) ao Incra.

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