Site registra em fotos a São Paulo abandonada

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Por trás da espessa camada de pó, do tijolo rachado e da parede descascada, eles enxergam história, arquitetura e belas esculturas capazes de contar um pouco do cotidiano esquecido da cidade de São Paulo. Desde janeiro, o fotógrafo Douglas Nascimento e a historiadora Glaucia Garcia de Carvalho reúnem no site "São Paulo Abandonada" dezenas de registros fotográficos de construções escondidas pelos cantos da capital. São casas, galpões, prédios, lojas, palacetes e fábricas, que correm o risco de desabar ou serem demolidos.

"Inicialmente, o projeto era fotografar só casas antigas. Mas eu percebi que, como a cidade está em constante mutação, é interessante fotografar todas as construções que fazem parte do nosso cotidiano. Eu não tenho mais esse tabu de fotografar um imóvel novo que esteja abandonado. Na medida do possível, eu fotografo tudo", explicou Nascimento, que pretende documentar tudo aquilo que não puder ficar de pé --seja pela gana da especulação imobiliária, seja pela ação do tempo-- para as futuras gerações.

Ele conta que sempre teve como hobby sair aos finais de semana bem cedo para fotografar a arquitetura da cidade e que percebeu que muitos dos lugares que visitava, depois de algum tempo, eram drasticamente modificados ou deixavam de existir.

"Então, decidi que era hora de tentar fazer alguma coisa para mostrar essa transformação. Passei a estudar, comprar livros de arquitetura, aprendi o que é art nouveau, art déco, arte moderna, o que é um frontão. E conforme eu ia estudando, fotografava coisas mais específicas. Quando vi já tinha um banco de dados considerável", lembra.

O site também funciona como um canal para que os moradores da cidade denunciem a falta de cuidado com o patrimônio histórico e fiscalizem a ação do poder público. O fotógrafo anota todos os lugares indicados pelos internautas, junta com aqueles que ele descobre, e coloca tudo em uma planilha dividida por regiões.

"Eu ando a cidade inteira por conta do meu trabalho. Não dá para parar e fotografar toda vez que eu vejo um lugar interessante. Mas eu levo um gravador digital comigo e, quando eu vejo um prédio abandonado, faço anotações de voz. Depois volto para fotografar", explica.

Achar preciosidades perdidas entre as cerca de 400 mil construções abandonadas em São Paulo é apenas a primeira parte da história. Depois que o imóvel é fotografado, a dupla começa um árduo trabalho para tentar descobrir um pouco mais sobre a história daquele lugar, que envolve pesquisa on-line, no Arquivo Histórico Municipal, no Arquivo do Estado e também conversas com vizinhos e moradores da rua.

"Mesmo quando é um imóvel simples, como uma casa que achamos na Penha, as pessoas participam, escrevem e contam que ali morava um tal de Chicão, que era de tal jeito, que ajudava as pessoas do bairro. E assim, as pessoas alimentam a própria história dos imóveis", disse Nascimento.

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