Cutrale diz que prejuízo provocado por ocupação do MST chega a R$ 1,2 milhão

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Cutrale, maior indústria de suco de laranja do mundo, informou nesta quarta-feira (14) que a ocupação da fazenda Santo Henrique, em Lençois Paulista, interior de São Paulo, por cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) provocou um prejuízo estimado em R$ 1,2 milhões.

Segundo Carlos Otero, representante da empresa, o valor diz respeito à "destruição de equipamentos, tratores, defensivos agrícolas, parte do pomar de laranjas, entre outros". A Cutrale disse que não quer mais comentar o assunto e não disse se entrará com ação judicial contra o movimento.

Os sem-terra entraram na fazenda no dia 28/09 e desocuparam a área no dia 7/10 em cumprimento à reintegração de posse emitida pela Justiça em favor da Cutrale.

A ocupação ganhou destaque depois que os integrantes do MST destruíram pés de laranja na fazenda. Um cinegrafista amador que não quis se identificar gravou o momento em que um trator destruiu os pés de laranja. Veja aqui. O MST disse que foram derrubados cinco hectares de plantação de laranja. Já a Cutrale informou que mais de sete mil foram destruídos.

Os sem-terra alegam que a empresa usa ilegamente 2,7 mil hectares de terras públicas griladas para a plantação de laranjas e que os pomares derrubados dariam lugar a plantações de feijão e milho.

Carlos Otero, no entanto, informou que "as terras pertencem à empresa, são produtivas e geram centenas de empregos".

Em nota, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) disse que a fazenda Santo Henrique "é objeto de ação reivindicatória proposta pela autarquia em agosto de 2006" e aguarda decisão da Justiça Federal sobre a posse do imóvel.

De acordo com o Incra, a fazenda está incluída no Núcleo Colonial Monção, uma área de 40 mil hectares espalhadas entre os municípios de Agudos, Águas de Santa Bárbara, Borebi, Iaras e Lençóis Paulista .

Parte dessas terras foi comprada pela União e outra recebida pelo governo federal como pagamento de dívidas das companhias de Colonização São Paulo e Paraná.

Em 1997, foi proposta a primeira ação reivindicatória, e o Incra obteve tutela antecipada de 30% do imóvel, o que resultou na criação do assentamento Zumbi dos Palmares em 1998. Em 2007, a Justiça Federal deu a posse da totalidade do imóvel (8 mil hectares) ao Incra.

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