Para controlar superpopulação, vereadores de Goiânia aprovam esterilização de pombos

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL Notícias
Em Goiânia

A Câmara Municipal de Goiânia encontrou uma solução polêmica para fazer o controle populacional de pombos na cidade. Um projeto de autoria do vereador Maurício Beraldo (PSDB), já aprovado em plenário, prevê a esterilização das aves através do uso de anticoncepcionais. O projeto determina ainda que seja feita uma campanha educativa sobre os perigos que o animal representa, principalmente sobre doenças provocadas por suas fezes.

"O aumento do número de pássaros nas ruas é facilitador da disseminação de doenças. E a procriação desordenada representa uma ameaça à saúde pública", justificou o vereador Beraldo. Anticoncepcionais para aves já existem no mercado. Tecnicamente, o contraceptivo seria misturado à alimentação dos bichos e sua ação impediria o desenvolvimento de novos embriões.

Não é a primeira vez que pombos viram alvos de polêmica em Goiânia. Recentemente, os animais também foram apontados como responsáveis pela contaminação de alguns animais do parque zoológico da cidade. O local está fechado para visitação desde o final de julho deste ano em decorrência da morte de mais de 70 animais em 2009. A participação dos pombos na mortandade, porém, até agora não foi comprovada.

Além do zoológico, há vários locais onde a presença dos pombos é frequente na capital goiana. O principal deles é a praça Cívica, onde fica o palácio do governo estadual. As aves também povoam outras praças centrais da cidade, além da periferia, principalmente próximo a indústrias de beneficiamento de cereais.

Pelo projeto de Maurício Beraldo, o trabalho de controle seria realizado nesses pontos específicos, onde é clara a situação de superpopulação, ou em locais em que os pombos representem riscos para a população. Com a implantação da nova lei, o município deverá dispor de unidades de controle de zoonoses adequadas à execução do programa, regulamentado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Entretanto, para o diretor de Vigilância e Saúde Ambiental do município, Geraldo Rosa, a medida pode colocar em risco a reprodução de outras aves. "Isso pode acarretar também problemas com outros animais que não estão sob controle. Todos que ingerirem o produto também serão afetados", informou.

A aposentada Marizete Cândida Soares, 71, que mora próximo à praça Cívica, também apresenta resistência ao projeto. "Acho que os vereadores deveriam mesmo é procurar coisas mais interessantes para se preocupar. Não precisa mexer com os bichinhos", ressaltou. A aposentada leva, pelo menos duas vezes por semana, sobras de comida e pães amanhecidos para alimentar os bichos.

Outros moradores, porém, apóiam a ideia. É o caso do funcionário público Raphael Santiago, que estaciona o carro quase todos os dias embaixo das árvores da região. "O carro fica todo sujo. Não adianta lavar. Além disso, dizem que esses bichos transmitem doenças. Apóio que se faça o controle, mas só não pode gastar muito com isso. Tem outras coisas mais urgentes para serem resolvidas. Acho que um projeto para melhor o nosso trânsito seria melhor", disse.

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