Ibope rebate críticas à pesquisa sobre assentamentos rurais

Elaine Patricia Cruz Da Agência Brasil Em São Paulo

O Instituto Ibope afirmou hoje (15), por meio de nota à imprensa, que "não há sentido" em fazer uma comparação entre a pesquisa sobre os assentamentos brasileiros que foi solicitada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e os demais estudos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Segundo o Ibope, trata-se de "universos distintos", já que a pesquisa divulgada esta semana pela CNA refere-se apenas aos "assentamentos consolidados em nove Estados brasileiros".

"A pesquisa trata de condições gerais de vida dos assentados e não somente do tipo de atividade econômica praticada pelas famílias. O Ibope espera, com este estudo, contribuir para um debate mais amplo do que este que tem ocorrido até este momento, centrado exclusivamente na questão da produção ou não nas propriedades pesquisadas, já que o escopo do estudo é muito mais amplo", diz o Ibope, na nota.

A pesquisa da CNA, elaborada pelo Ibope, afirmava, entre outras coisas, que 72% dos assentamentos do país não produzem o suficiente para gerar renda e que 37% dos assentados brasileiros vivem mensalmente com, no máximo, um salário mínimo. Ontem (14), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) criticou a pesquisa, afirmando que ela não tem relevância porque analisou apenas nove assentamentos.

"Uma pesquisa feita em apenas nove assentamentos é tão tabajara e ridícula que não tem relevância alguma. Estranhamos que o Ibope se preste a esse tipo de trabalho, apenas para atender a vontade dos latifundiários. Confiamos no censo agropecuário, que demonstra que a concentração de terras no país cresceu nos últimos 10 anos", afirmou João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do MST, por meio de nota.

O Ibope negou ter qualquer posicionamento sobre a reforma agrária no país e disse que "todas as informações da pesquisa foram levantadas diretamente com os responsáveis pelas famílias, dentro das propriedades".

A opinião do MST coincide com a que foi apresentada pelo Incra. Em entrevista coletiva nesta semana, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, disse que o Censo Agropecuário, que teria pesquisado todos os estabelecimentos do país, demonstra números bem diferentes.

"Quero reafirmar que a reforma agrária produz muitos alimentos. O censo agropecuário, que pesquisou todos os estabelecimentos do país, mostra que a agricultura familiar detém 24% da área total e produz 40% do valor bruto da produção agropecuária brasileira. Fico com o censo e não com o Ibope, que pesquisou mil famílias. Temos 1 milhão de famílias assentadas no Brasil inteiro em 80 milhões de hectares. A amostra é insuficiente", afirmou Hackbart.

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