Ministério da Justiça nega que ordem de invasão de morro no RJ partiu de presídio federal

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizado às 16h

Em nota divulgada no início da tarde desta segunda-feira (19), o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça, negou que a ordem para invasão do morro dos Macacos, na zona norte do Rio de Janeiro, tenha partido do presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná.
"O Depen repudia a informação atribuída à Polícia Civil do Rio de Janeiro segundo a qual a ordem para os confrontos ocorridos no sábado teria partido de traficantes hoje custodiados na Penitenciária Federal em Catanduvas (PR)", diz a nota.

Segundo o texto, o "serviço de inteligência do Sistema Penitenciário Federal e todo o aparato de segurança" nas unidades "não permitem comunicação com o ambiente exterior".

A invasão, na madrugada de sábado (17), resultou em confrontos e ao menos 21 pessoas morreram durante o fim de semana, de acordo com números atualizados pela polícia nesta segunda-feira. Hoje pela manhã a morte de mais um cabo da PM foi confirmada: Izo Gomes Patrício estava internado no hospital da Força Aérea do Galeão, localizado na Ilha do Governador, e não resistiu aos ferimentos. Ele teve queimaduras em quase todo o corpo.

O diretor do sistema penitenciário federal, Wilson Salles Damázio, afirmou ter conversado com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, no sábado e nesta segunda-feira. Segundo Damázio, o secretário negou que a informação tenha partido da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A negativa também consta da nota divulgada pelo Ministério da Justiça. "Na manhã desta segunda-feira (19), em conversa por telefone com o diretor do Sistema Penitenciário Federal, Wilson Damazio, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Mariano Beltrame, negou veementemente que essa informação tenha partido da inteligência da Polícia Civil daquele Estado", diz a nota.

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As investigações do setor de inteligência da Polícia Civil apontam que a invasão no morro dos Macacos, na zona norte do Rio, foi articulada por chefes da facção CV (Comando Vermelho) que estão no presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná



"Os dois têm mantido contato constante desde sábado e o Ministério da Justiça já colocou o Sistema Penitenciário Federal à disposição do governo do Rio de Janeiro caso haja necessidade de novas transferências de presos", acrescenta o texto.

Segurança máxima
O sistema penitenciário federal conta com três unidades de segurança máxima em funcionamento. As de Catanduvas, no Paraná, e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, foram inauguradas em 2006. A de Porto Velho, em Rondônia, entrou em funcionamento em junho deste ano. A de Mossoró, no Rio Grande do Norte, apesar de concluída, depende da solução de pendências administrativas para ser colocada em operação, de acordo com o Depen.

"Todas as unidades são de segurança máxima especial, com só um preso por cela. Os agentes que trabalham nestes estabelecimentos são treinados pela Polícia Federal e contam com armamentos de ponta", defende o diretor do sistema penitenciário federal.

Cada unidade tem capacidade para receber 208 presos. Até a manhã desta segunda, a de Campo Grande contava com 133 detentos, a de Catanduva, com 107, e a de Porto Velho, com 40. O número é variável.
  • Douglas Engle/EFE

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"Esses lugares não foram feitos para se cumprir pena, mas para momentos de crise como este do Rio de Janeiro. Por isso, a gente sempre deixa uma reserva técnica, senão não tem como ajudar os Estados. Não teria, por exemplo, como ajudar o secretário Beltrame agora", explicou Damázio.

A nota divulgada pelo Depen diz que atualmente há 26 detentos do Rio de Janeiro em penitenciárias federais. E que o contato entre o departamento e a Secretaria de Segurança Pública do Rio é constante para monitorar a situação dos presos sob a guarda do Sistema Penitenciário Federal.

"Desde que entraram em funcionamento, há mais de três anos, não se registrou nenhuma morte, fuga, rebelião, entrada de aparelhos celulares ou armas. As visitas dos presos e os advogados recebem acompanhamento especial e, na maioria dos casos, são monitoradas com ordem judicial", diz a nota, sobre as prisões federais.

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