Confrontos no Rio deixam ao menos 33 mortos; estudante é baleado

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizado às 18h57

Os confrontos entre Polícia Militar e traficantes nos morros cariocas já deixaram 33 mortos desde o último sábado (17). Policiais estão fazendo operação em diversas comunidades em busca de criminosos que tenham participado da invasão do morro dos Macacos, na zona norte, quando um helicóptero policial foi derrubado. Desde a madrugada desta quarta-feira (21), sete pessoas foram mortas.

Outras três pessoas foram baleadas durante o dia, sendo uma delas o estudante de José Carlos Guimarães Júnior, de 18 anos, atingido no abdômen por uma bala perdida na Vila Cruzeiro, no complexo do Alemão, zona norte. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, ele ficou com a bala alojada no fígado, mas já deixou o centro cirúrgico e está consciente.

Outra vítima foi Marcelo Luiz da Cruz, ferido com um tiro na cabeça. Ele segue internado no Hospital Estadual Getúlio Vargas. Um terceiro baleado, Márcio Almeida Gomes, atingido nas duas pernas e braço esquerdo, está recebendo atendimento. Ele veio do bairro de Olaria, também no subúrbio do Rio. A polícia não confirma se eles são suspeitos ou apenas moradores das comunidades que teriam sido atingidos por balas perdidas.

Nesta quarta, policiais militares entraram em confronto durante a madrugada com supostos traficantes no morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, na zona norte, resultando na morte de três homens armados que teriam disparado contra os policiais, informou a polícia.

Mais dois suspeitos foram mortos pela polícia durante o dia em outra operação no morro Santo Amaro, na zona sul da cidade. Outros dois homens identificados como traficantes - sendo um dele Leozinho dos Prazeres, que seria chefe de tráfico - morreram no morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na região central, e na favela Mangueirinha, em Duque de Caxias, na baixada fluminense.

Entre as outras vítimas feitas desde o fim de semana estão três policiais que estavam a bordo do helicóptero abatido e três moradores do morro dos Macacos que não teriam relação com o tráfico.

Operações e prisões
Operações estão em andamento em favelas da cidade na tentativa de encontrar os responsáveis pelo conflito de sábado. Um dos principais procurados é Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 33, que atua no complexo de favelas do Alemão (zona norte).
  • Douglas Engle/Reuters

    Policiais carregam corpo na favela do morro Santo Amaro, onde houve tiroteio nesta quarta-feira


A maior das operações foi realizada na Vila Cruzeiro, no complexo do Alemão. A PM está, ainda, no morro do Borel, na Tijuca, no morro Santo Amaro, no Catete, e no complexo de favelas da Maré, entre outros.

Na tarde desta quarta-feira (21), a Polícia Militar prendeu no Rocha, zona norte do Rio de Janeiro, o traficante conhecido como "Chorrão". Segundo a PM, ele é acusado de ser um dos chefes do tráfico da favela do Jacarezinho e de ter participado da invasão ao morro dos Macacos.

Ao todo, segundo balanço divulgado no começo da noite pela polícia, foram presos 16 suspeitos, entre eles um adolescente durante operação na comunidade de Antares, em Santa Cruz, também na zona norte. Além de drogas, foram apreendidos dez pistolas, duas submetralhadoras, carregador de fuzil e duas granadas.

Os cerca de 100 policiais militares do 16º Batalhão (Olaria) que estão em Merendiba, na Vila Cruzeiro, foram recebidos a tiros e revidaram. Os traficantes colocaram fogo em pneus e atravessaram veículos nas ruas para impedir a entrada dos policiais na favela. O comércio fechou as portas e muitas crianças não foram para as escolas da região.

CPI da Violência Urbana convoca Tarso Genro

O ministro Tarso Genro (Justiça) deverá comparecer à Câmara dos Deputados na próxima semana para falar sobre a violência no Rio de Janeiro. A CPI da Violência Urbana aprovou requerimento de convocação do ministro nesta quarta (21)


Suposta invasão
Moradores da favela morro São João, vizinha ao morro dos Macacos, disseram na noite de terça-feira que foram forçados a deixar suas casas para fugir de uma possível invasão de traficantes, após troca de tiros entre criminosos de facções rivais. De acordo com a polícia, entretanto, não houve qualquer registro de confronto entre traficantes e policiais no local. O major Santos reconheceu, porém, que "há um clima de tensão no ar".

"O jeito é ficar aqui embaixo, todo mundo está com medo de voltar pra casa, é melhor ficar na rua", disse a jornalistas um comerciante e morador da área, que pediu anonimato.

Os confrontos, que ocorrem principalmente na zona norte do Rio, são protagonizados pelas facções rivais CV (Comando Vermelho) e Amigos dos Amigos (ADA).

* Com informações da Agência Brasil e Reuters

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos