O foco deve ser "achar quem apertou o gatilho", diz presidente do AfroReggae

Juliana Kalil
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

  • Divulgação

    Polícia divulga retrato falado de acusado de participar do assalto que terminou com a morte de coordenador do AfroReggae. A imagem foi feita com base em informações passadas pelos policiais militares envolvidos


Revoltado com as novas informações sobre o assassinato do coordenador do AfroReggae Evandro João da Silva, o presidente do grupo afirma que o foco da polícia deve ser bem específico. "Temos que achar o culpado, achar quem apertou o gatilho", afirmou Altair Martins. "Quando eu vi as imagens, eu fiquei revoltado. Primeiro com a ação dos bandidos e mais ainda com os policiais", completou.



O comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Mário Sérgio Duarte, admitiu o erro da corporação nesta quinta-feira (22) e pediu desculpas à família de Evandro. A PM ainda não tem pistas dos dois criminosos. Enquanto as investigações ainda estão longe de ter um desfecho, Martins avisa: "O grupo não vai sossegar enquanto todos os culpados não estiverem atrás das grades".

Altair Martins eximiu a PM como corporação de culpa pela má conduta de dois policiais, mas levantou outra questão em entrevista exclusiva ao UOL Notícias. "Foi muito pouco tempo pra abordagem e pra liberação [dos bandidos]. Por que eles não prestaram socorro? Nós não entendemos", desabafou.

Pelas imagens do circuito interno de estabelecimentos próximos ao crime, os dois PMs supostamente abordaram os criminosos segundos após o assassinato, mas em vez de prendê-los, ficaram com os pertences de Evandro (jaqueta e par de tênis) e liberaram os bandidos.

Silva morreu por volta de 1h30 no último domingo (18), na esquina da rua do Ouvidor com a rua do Carmo. O coordenador chegou a lutar com os criminosos, mas foi baleado. O carro da polícia que passou perto do local não prestou socorro à vítima, que morreu no local.

"Guerreiro e disposto a transformar"Segundo Martins, o coordenador assassinado já convivia com a violência havia muitos anos, pois nasceu e morou em favela, além de fazer trabalhos com presidiários. "Ele era uma pessoa muito guerreira, animada e sempre disposta a transformar", elogiou o amigo.

O presidente também exaltou sua força: "As imagens mostraram que ele lutou até o fim. A gente vai continuar lutando para encontrar de fato esses culpados e, depois, pelas causas pelas quais ele lutava também."

Evandro João da Silva, de 42 anos, estava no AfroReggae havia dez anos e era coordenador da equipe técnica social do grupo. Seu último trabalho envolvia a ressocialização de presos. Ele foi assassinado na madrugada de domingo no centro do Rio. Evandro estava a caminho de uma boate na praça 15, por volta das 1h30, quando foi abordado por bandidos na esquina das ruas Ouvidor e do Carmo.

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