PM admite erro em morte de coordenador do AfroReggae; nomes de policiais envolvidos são divulgados

André Naddeo
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Atualizada às 15h47

Estamos indignados, diz comandante da PM


Mário Sérgio Duarte, comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, admitiu nesta quinta-feira (22) que a PM errou no caso que resultou na morte de Evandro João da Silva, 42, coordenador do grupo cultural AfroReggae, no último domingo (18). Câmeras de segurança mostram que dois homens que haviam assaltado e baleado Silva foram detidos e, em seguida, liberados por dois PMs. Além disso, o coordenador não foi socorrido pelos policiais.

"O policial é preparado para os confrontos mais difíceis. Agir nas ruas é o que se espera dele. É uma frustração saber que a polícia errou, mas não podemos dar as costas para os nossos erros", disse o coronel. "Estamos em solidariedade com a família. A PM errou, trabalhou mal. Temos que ser maduros e profissionais suficientes para admitir o erro. É imperativo pedir desculpas", afirmou Duarte à imprensa nesta manhã.

"É inadmissível um cidadão ficar na rua agonizando sem socorro", disse o coronel referindo-se à falta de socorro ao coordenador do AfroReggae.

A polícia do Rio divulgou os nomes dos policiais acusados de omitir socorro a Silva. Denis Leonard Nogueira Bizarro (capitão) e Marcos de Oliveira Sales (cabo) estão presos administrativamente por até 72 horas no Batalhão da Praça Tiradentes (13º Batalhão), no centro. A partir de agora, serão 40 dias de inquérito militar, no qual os policiais terão suas condutas investigadas.
  • Douglas Engle/Reuters

    Policiais carregam corpo na favela do morro Santo Amaro, onde houve tiroteio nesta quarta-feira


A prisão dos policiais pode terminar no sábado, mas, segundo o coronel Duarte, se a Justiça Militar entender que em liberdade o capitão e o cabo podem atrapalhar as investigações do crime, pode ser decretada ainda hoje a prisão preventiva de ambos. "Não permitiremos desvio de conduta, seja por má vontade ou incompetência", disse Duarte.

Os dois policiais suspeitos prestaram esclarecimentos sobre o caso na noite de quarta-feira (21) e madrugada desta quinta. A polícia não divulgou o conteúdo dos depoimentos.

Imagens de câmera de segurança divulgadas pelo "Jornal da Globo" mostram o momento do assalto que culminou na morte de Silva. As imagens mostram que um carro da polícia passou por onde o coordenador estava após ser baleado, mas não socorreu a vítima.

Outra imagem registra o momento em que policiais avistam os dois homens que participaram do crime e, em seguida, um dos PMs carrega os pertences roubados para dentro da viatura. Instantes depois, um dos criminosos vai embora. Os objetos roubados não foram devolvidos à família.

Silva morreu por volta de 1h30, na esquina da rua do Ouvidor com a rua do Carmo. Os assaltantes levaram o tênis, a jaqueta, o celular e a carteira de Silva, que chegou a lutar com os criminosos, mas acabou baleado.

De acordo com a Secretaria de Segurança, Silva estava indo sozinho para uma boate localizada no centro do Rio. Um revólver calibre 38 foi encontrado próximo ao local do crime, por outra guarnição.

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