Estado de bebê atingido por bala perdida em favela do Rio é grave; polícia investiga morte da mãe

Do UOL Notícias*
Em São Paulo


O estado de saúde da menina de 11 meses que foi atingida na noite de domingo (25) por uma bala perdida na favela Kelsons é grave, mas estável. A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro informou que o bebê foi atingido no braço e permanece internado após ter sido operado ontem.

A Polícia Civil do Rio disse que a delegacia da Penha vai investigar a morte da mãe, Ana Cristina do Nascimento, 24, que foi atingida por um disparo nas costas quando caminhava com a filha no colo, ao lado do marido e de outros dois filhos. Ela foi levada para o hospital estadual Getúlio Vargas, mas não resistiu.

O crime aconteceu por volta das 22h, na Penha, zona norte do Rio. Familiares de Ana Cristina afirmaram que o tiro que acertou a mulher e o bebê partiu de policiais que dispararam em direção à comunidade.
A Polícia Militar, no entanto, alega que policiais que faziam uma ronda no local foram alvo de disparos de supostos traficantes, que teriam acertado mãe e filha na rua. De acordo com a PM, os agentes não revidaram os disparos porque havia muitos pedestres na rua.

A corporação lamentou a morte e afirmou que vai colaborar com a apuração dos fatos, entregando as armas dos policiais para a perícia.

Onda de violência
A morte acontece após uma onda de violência que deixou desde a última semana ao menos 41 mortos na cidade. Os confrontos entre policiais e facções criminosas rivais tiveram início no dia 17, quando criminosos abateram a tiros um helicóptero da PM que dava apoio para uma operação no morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte. Três policiais que estavam na aeronave morreram.

O último balanço da PM contabiliza 35 mortos em confronto ou corpos encontrados, três policiais mortos e quatro vítimas inocentes. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Rio, a morte de Ana Cristina, no entanto, não deve ser contabilizada no balanço, porque "pode ter sido um caso isolado, sem relação com os episódios recentes de violência".

Ontem, mais uma suspeito de participar da invasão ao morro dos Macacos foi preso. Fábio Luiz Gonçalves dos Santos, conhecido "Binho da Matriz", foi detido no Meier, nas imediações do morro da Matriz.

A polícia ainda busca pelo menos outros dois criminosos: Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 33, que atua no complexo de favelas do Alemão (zona norte); e Alexander Mendes da Silva, o Polegar.

Igreja da Penha é alvo de traficantes
Marco religioso e turístico do Rio, a Igreja Nossa Senhora da Penha, também na zona norte, vem sendo usada por traficantes de drogas de favelas para monitorar a movimentação de policiais na região. A informação foi confirmada ontem pelo arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, durante a procissão da 374ª Festa de Nossa Senhora da Penha.

Erguida sobre um monte rochoso, a igreja é cercada por favelas e tem vista panorâmica para vários bairros da área disputada por criminosos. Segundo o arcebispo, as incursões de traficantes nas torres da igreja são frequentes e fazem "parte da guerra urbana" no Rio.

Polícia do Rio age 'de forma vingativa'
ONGs classificaram de "revide" as operações policiais no Rio desde o dia 17. Um manifesto assinado por diversas entidades - entre elas Justiça Global, Grupo Tortura Nunca Mais e Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação - acusou o governo do Estado de agir "de forma vingativa" e "manipular a reação pública" por meio do "pânico que oculta mortes, ferimentos, fechamento de escolas, creches, postos de saúde e comércio".

O documento aponta que a "política do confronto" busca respaldo "nos grandes acontecimentos esportivos previstos para ocorrer na cidade". As entidades devem realizar um encontro hoje, no Sindicato Estadual dos Professores, para lançar o manifesto.

* com informações de Reuters, Agência Estado e Folha Online

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