Atrasos nos exames de gripe suína no Nordeste chegam a três meses

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

O grande número de casos suspeitos de gripe suína no país tornou longa a espera pelos resultados dos exames comprobatórios da doença no Nordeste. Segundo algumas secretarias estaduais, há relatos de pessoas com suspeita de contaminação que aguardam a confirmação do contágio pelo vírus H1N1 há mais de três meses. O atraso foi confirmado pelo Ministério da Saúde.

Hoje, a fila de exames à espera de resultado no país já soma 8.000. Questionado sobre o prazo para entrega dos exames pendentes, o ministério não deu previsão. "É direito do paciente saber o resultado do exame, mas é preciso reforçar que há critérios de prioridade", afirmou.

Segundo o órgão, desde o dia 16 de julho, a OMS (Organização Mundial da Saúde) passou a recomendar a não-realização do exame específico para detecção do vírus em todos os casos suspeitos de gripe. O Ministério da Saúde afirma que foram definidas três prioridades para a realização de exames. "Nos casos de doença respiratória grave, investigação de óbito suspeito por influenza e investigação de surtos de gripe".

Como a maioria dos casos na região Nordeste não foi grave, nem foi registrado surto nos Estados, a espera se tornou mais longa que nas regiões Sul e Sudeste - onde houve uma incidência bem maior de pessoas infectadas.

Segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, na semana passada, dos 1.368 óbitos registrados no país, entre 25 de abril e 10 de outubro, 1.240 foram nas regiões Sul e Sudeste - o que equivale a 90,6% do total. O Nordeste teve apenas 16 (1,2% do total). "Da mesma forma, mais de 90% dos casos de doença respiratória grave foram registrados nessas duas regiões", afirma o Ministério da Saúde.

Estados reclamam
Enquanto os resultados não são divulgados, os Estados acabam tendo prioridade apenas nos casos da síndrome respiratória aguda grave. Os demais pacientes com suspeita da doença são tratados e liberados sem a confirmação da contaminação.

Na Paraíba, primeiro Estado a registrar morte por gripe suína na região, o governador José Maranhão (PMDB) chegou a solicitar, no mês de agosto, que o Estado realizasse exames para comprovação da doença.

Hoje, os exames da região são encaminhados à Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e ao Evandro Chagas, em Belém.

Quatro meses depois de confirmar o primeiro caso da doença, o Estado de Alagoas afirma que ainda espera pelo resultado de pelo menos 40 exames de pessoas que tiveram suspeita da doença.

De acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (Sesau), Cleide Moreira, há casos em que a espera supera os três meses. Enquanto isso, possíveis ex-contaminados já não apresentam sintomas há semanas e seguem suas vidas normalmente.

"Desde que começamos a registrar casos suspeitos, em abril, tivemos oito confirmados e 15 descartados. O Ministério da Saúde está com uma deficiência grande na apresentação dos resultados", disse.

O único exame entregue de forma rápida foi feito no caso de suspeita de morte pela gripe suína. "A única pessoa que morreu e que era suspeita foi descartada. Hoje não tenho conhecimento de ninguém que esteja internado com suspeita da doença no Estado", explicou.

Número de casos cai 97%
Segundo o último boletim do Ministério da Saúde, o número de casos de síndrome respiratória aguda grave no Brasil, causadas pela gripe suína, caiu 97,3% - de 2.828 registros para 78 entre os dias 8 de agosto e 10 de outubro.

Desde o diagnóstico do primeiro caso da doença no país, em abril, foram notificados 68.806 casos graves de algum tipo de doença respiratória. Desses, 17.219 tiveram confirmação laboratorial de gripe suína.

No Nordeste, até o último dia 10, foram registradas 16 mortes, sendo 10 delas na Bahia. Paraíba e Pernambuco registraram dois óbitos cada, enquanto Piauí e Rio Grande do Norte tiveram uma morte cada um.

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