Maior medo de carioca é ser atingido por bala perdida, diz pesquisa

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Uma pesquisa mostrou que ser atingido por uma bala perdida é, atualmente, o maior temor dos cariocas, superando o medo de ser assaltado, de sofrer abuso em abordagem policial ou de ser vítima da briga de torcidas. Segundo dados da ONG Rio Como Vamos, das 1.358 pessoas entrevistadas em agosto em todas as regiões da cidade, 36% apontaram como seu principal medo o risco de ser atingido por um tiro, mesmo sem estar envolvido numa situação de violência.

Os moradores da zona norte - justamente onde fica a favela Kelson's, na Penha, local em que a dona de casa Ana Cristina Costa do Nascimento, de 24 anos, foi morta e sua filha de 11 meses ferida por uma bala perdida no último domingo - foram os que demonstraram mais este receio: 44% deles. O medo das balas perdidas também foi apontado pela maioria dos moradores das demais regiões da cidade que participaram do estudo, encomendado ao Ibope.

Comparando-se os dados da pesquisa com os do Relatório Temático sobre Balas Perdidas do Instituto de Segurança Pública do Estado (ISP) e com as ocorrências mais recentes - além do caso de Ana Cristina e a filha, a morte do ambulante Marcelino dos Santos, de 51 anos, também no complexo da Penha, e as vítimas inocentes da guerra que vem sendo travada entre traficantes e polícia há duas semanas - nota-se que o temor dos residentes da zona norte não é infundado. De acordo com o relatório do ISP, das 79 pessoas vitimadas (entre mortos e feridos) por balas perdidas no primeiro semestre deste ano na Capital, quase a metade foi atingida em bairros da zona norte, área que concentra o maior número de domicílios em favelas da cidade (49,78%, segundo dados do Censo 2000 do IBGE).

"Nossa pesquisa mostra que balas perdidas aterrorizam os moradores de todos os bairros do Rio de Janeiro. Na zona norte, é natural que o temor seja maior, já que é lá que ocorre grande parte dos conflitos entre as facções do tráfico e entre criminosos e policiais, como estamos vendo agora", diz a presidente executiva da Rio Como Vamos, Rosiska Darcy.

Segundo ela, é esperado que as autoridades levem para a região o modelo das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), que expulsam os traficantes e vigiam as comunidades permanentemente com armamento pesado. "Com a polícia cidadã, devem chegar outros serviços públicos, que dêem a essas comunidades o estatuto de um bairro como qualquer outro e onde se possa viver tranqüilo", argumenta.

As balas perdidas foram ainda o maior temor apontado por 36% dos moradores de Barra/Jacarepaguá; 35% no centro; 34% na zona sul e 24% na oeste. No total da cidade (36%), o medo de ser atingido por uma delas é maior, inclusive, do que o receio de ser assaltado, respondido por 23% dos entrevistados, com maior incidência na área de Barra/Jacarepaguá (31%). Em terceiro lugar foi apontado o medo de sair à noite, com 19% das respostas, principalmente de moradores do Centro (23%) e das zonas sul (23%) e oeste (26%). Em quarto e quinto lugar vêm, respectivamente, o temor da presença do tráfico, com 7%; e o de abordagens policiais, com 4%.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos