Quase 70% das estradas do país apresentam problemas, diz CNT; entidade critica TCU

Claudia Andrade*
Do UOL Notícias
Em Brasília

Atualizado às 16h44

Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (28) pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) indica que quase 70% (69,1%) das estradas do país apresentam problemas de pavimentação, sinalização ou geometria viária. No total, foram avaliados mais de 89,5 mil km de rodovias, sendo 75.337 km com gestão pública e 14.215 km sob concessão.

Sobre a pavimentação, foram consideradas em estado crítico 54,2% das estradas federais e estaduais. Outras 63,9% apresentaram problemas de sinalização. Em 46,3% delas não havia acostamento e outras 13,1% tinham placas encobertas pelo mato.

Condição das estradas

RegiãoPéssimoRuimRegularBomÓtimo
Norte11,7%28,3%53,7%5,1%1,3%
Nordeste12,7%20,1%45,4%13,2%8,6%
Centro-Oeste4,1%20,5%52,8%14,6%7,9%
Sudeste4,7%11,3%38,2%19,1%26,6%
Sul2,1%11,6%44,1%30,9%11,3%

Além disso, quase 90% das rodovias analisadas têm pista simples de mão dupla. Na avaliação da CNT, pelo menos 30% delas precisariam ser duplicadas, para melhorar a circulação e reduzir o risco de acidentes.

As piores estradas estão na região Norte. Mais de 90% das estradas apresentam más condições. A situação mais crítica é no Amazonas, que tem toda a malha rodoviária considerada como regular, péssima ou ruim. Em seguida, está o Acre, que tem 98,7% das estadas em condições precárias. Roraima foi o que teve a maior parte das estradas avaliadas como ruins (43,6%) - a BR-210 foi considerada a pior estrada no Estado.

Investimentos
O presidente da confederação, Clésio Andrade, afirmou que o investimento necessário para melhorar as rodovias que atualmente são classificadas como 'ruim' ou 'péssima' chegaria a R$ 32 bilhões. O montante está acima do total investido pelo governo Lula ao longo de sete anos: R$ 23 bilhões, de acordo com a CNT.

"Há um esforço do governo do presidente Lula em melhorar o sistema rodoviário brasileiro, mas está muito aquém ainda", disse Andrade. "A tecnologia de construção rodoviária é muito avançada, tem condições de colocar o sistema rodoviário em condições ideais em menos de dois anos. Só depende de recursos financeiros e da boa vontade política".

Críticas ao TCU
Além dos recursos insuficientes, o presidente apontou ainda a atuação do TCU (Tribunal de Contas da União) como um entrave para a melhora das condições das estradas do país.

"No momento em que a gente já sabe a situação crítica por que passa o sistema rodoviário brasileiro, o TCU tem recomendado a paralisação de investimentos dessas obras. Isso não é bom, porque a economia que se faz com a paralisação das obras acaba sendo muito menor do que o prejuízo para o Brasil".

O representante do setor empresarial afirmou que, em 26 obras rodoviárias com recomendação de paralisação pelo TCU, a perda estimada seria de R$ 745 milhões, enquanto a economia prevista ao se evitar irregularidades seria a metade, cerca de R$ 300 milhões.

Andrade comentou ainda o principal indício de irregularidade apontado pelo tribunal, o superfaturamento de obras. "Quando se fala em superfaturamento, é preciso que haja medidas fortes por parte do TCU. Mas o que não se pode é simplesmente, na hora das denúncias, parar aquela obra. É preciso pensar".

"Nós acreditamos que o tribunal tem outros mecanismos. Ele pode deixar prosseguir a obra e, na hora da prestação de contas, exigir o ressarcimento daquelas pessoas que cometeram o erro", acrescentou.

* Com informações da Agência Brasil

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