Situação de insegurança no Rio pode se repetir em outras metrópoles, diz ministro

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou nesta quarta-feira (28) que a situação de insegurança enfrentada atualmente pelo Rio de Janeiro "não é excepcional" e pode se repetir em outras metrópoles do país.

"O Rio de Janeiro está assim por vários fatores objetivos que, em última instância, criaram regiões controladas por milícias ou pelo crime organizado. Essa não é uma situação excepcional no país. Se esse ciclo não for interrompido, ela ocorrerá também em outras metrópoles do país", afirmou Genro, em audiência pública na Câmara dos Deputados.

O ministro citou como exemplo da existência do problema de segurança zonas de pistolagem no Nordeste. "Mas lá, como não tem uma visibilidade muito importante, não tem centralidade política, são situações que passam despercebidas".

Para o ministro, é importante combater o crime no Rio de Janeiro porque a cidade servirá de modelo para o restante do Brasil. Ele afirmou que a cidade passa por um "ciclo de mudança de paradigma" com programas de segurança pública com cidadania, como o Pronasci, do governo federal. Mas alertou que os efeitos não serão percebidos em curto prazo.

"A crise da segurança pública tem quase 40 anos. Temos uma política de segurança totalmente defasada. Essas políticas do Pronasci estão apenas começando, e teremos um ciclo até chegar a um modelo de segurança com cidadania".

Olimpíadas como marco
Segundo Tarso Genro, a meta é que a situação no Rio de Janeiro esteja transformada até as Olimpíadas-2016. "Colocamos as Olimpíadas como uma meta para deixar um legado. Quando terminar, teremos uma situação completamente diferente."

A solução mais fácil, disse o ministro, seria ocupar a cidade com militares para a realização do evento. "Deixaríamos a cidade ocupada. Depois termina a Olimpíada e volta a situação anterior. Como já aconteceu antes, inclusive no Pan", ilustrou, referindo-se aos Jogos Pan-Americanos-2007, sediados pelo Rio.

Contudo, Tarso Genro ressaltou que a proposta é criar uma melhoria permanente. "Isso vai além da questão de segurança", ressaltou.

"A questão de segurança pública não é mais só de segurança, é uma questão democrática, que diz respeito a todos os partidos. Um país que não consegue minimamente garantir a seus cidadãos o direito de ir e vir é um país que começa a comprometer sua tradição democrata".

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