Buscas por dois desaparecidos em acidente da FAB continua; há mergulhadores no local

Especial para o UOL Notícias*
Em Manaus

Atualizado às 21h50
  • Arte UOL

A Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou em nota nesta sexta-feira (30) que as buscas por dois desaparecidos do acidente da aeronave da FAB continuam na Amazônia. Nove pessoas sobreviveram e passam bem. Ao todo, 11 pessoas estavam a bordo.

O avião modelo Cessna Caravan, que havia desaparecido na manhã de ontem (29) quando ia de Cruzeiro do Sul (AC) a Tabatinga (AM), foi encontrado por índios no meio da floresta nesta sexta-feira.

Um helicóptero HM-3 Cougar do Exército procura por João de Abreu Filho, funcionário da Funasa, e pelo suboficial Marcelo dos Santos Dias, ambos ainda desaparecidos. Uma equipe de buscas com equipamentos de mergulho será reforçada por barcos - já que o avião fez o pouso forçado em um rio - e contará com a colaboração de índios da região.

"A aeronave está totalmente submersa no igarapé em que o piloto tentou pousá-la e nós vamos utilizar mergulhadores para tentar localizar o C-98 e os dois ocupantes que ainda não foram localizados", afirmou Jorge Cruz Souza e Mello, comandante do 7º Comando Aéreo Regional (Comar), durante entrevista coletiva concedida em Manaus no final da tarde desta sexta.

"Estamos felizes porque estamos vivos", diz sobrevivente

"Estamos felizes porque estamos vivos. A aeronave parou no ar e entramos em pânico e o piloto jogou o avião pra dentro do rio". Esse é o relato de um dos nove sobreviventes do acidente com a aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) ao chefe do Distrito Sanitário Especial Indigena do Alto Juruá, da Funasa, José Francisco Corrêa de Araújo


Segundo Souza e Mello, a sobrevivência de nove dos 11 ocupantes da aeronave só foi possível graças a perícia da tripulação do C-98. "Tenho certeza que foi a competência da tripulação que possibilitou a sobrevivência de boa parte dos ocupantes. Tanto a do piloto que conduziu o pouso forçado até a equipe de mecânicos responsáveis pela abertura da aeronave na água", afirmou. O piloto está entre os sobreviventes.

O acidente
O Caravan fez um pouso forçado no rio Ituí, afluente do rio Javari, entre as aldeias Aurélio, do povo indígena matis, e Rio Novo, da etnia marubo. Uma aeronave C-105 Amazonas localizou o avião às 9h40, a partir das informações fornecidas pelos índios.

O avião acidentado pertence ao 7º Esquadrão de Transporte Aéreo (7º ETA), sediado em Manaus (AM). Ele decolou de Cruzeiro do Sul (AC) por volta das 10h30 (horário de Brasília) de ontem e deveria ter chegado às 12h15 no seu destino: Tabatinga (AM). O avião transportava técnicos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e emitiu um sinal de emergência 58 minutos após a decolagem. Segundo a Aeronáutica, eram boas as condições meteorológicas no horário do desaparecimento da aeronave. A causa do acidente será investigada.

Sobreviventes
Seis dos sobreviventes já estão no Hospital do Juruá, na cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, recebendo cuidados médicos. Havia ambulâncias do Samu e da Infraero em Cruzeiro do Sul aguardando a chegada de outros. De acordo com informações do diretor-técnico do hospital, todos passam bem. Eles devem receber alta neste sábado (31).

Os sobreviventes são três militares identificados como tenente Carlos Wagner Ottone Veiga, tenente José Ananias da Silva Pereira e sargento Edmar Simões Lourenço. Os demais são civis: Josiléia Vanessa de Almeida, Maria das Graças Rodrigues Nobre, Maria das Dores Silva Carvalho, Marina de Almeida Lima, Diana Rodrigues Soares e Marcelo Nápoles de Melo.

Mais de cem militares participaram da operação de buscas e resgates, dois quais 36 pessoas --entre médicos, enfermeiros e especialistas em resgate--, foram deslocados para a região delimitada pela FAB como local do acidente.

A Funasa informou que os familiares dos profissionais que estavam no avião estão recebendo assistência da prefeitura de Atalaia do Norte (AM), município onde residem. O diretor do Departamento de Saúde (Desai) da Funasa, Wanderley Guenka, viajou para Cruzeiro do Sul (AC) para acompanhar os trabalhos da FAB.
  • Divulgação/FAB

    Imagem de arquivo mostra modelo idêntico ao que desapareceu


Segundo o secretário de Planejamento de Atalaia do Norte, João Bosco Lopes, a população indígena que mora no Vale do Javari, área do Amazonas onde desapareceu a aeronave, foi acionada para ajudar nas buscas. Nessa localidade, a única presença humana é das comunidades indígenas.

Para orientar os indígenas que se dispuseram a ajudar em Atalaia, funcionários da Funasa e da Funai fizeram contato por rádio desde o início da manhã desta sexta com as aldeias da região.

Equipe da Funasa
A equipe que estava a bordo do avião fazia o trabalho de vacinação em aldeias indígenas do vale do Javari, no extremo oeste do Estado do Amazonas.

Em nota, o órgão afirma que os "colaboradores foram designados para ações de imunização (Operação Gota) em cerca de 3,7 mil indígenas de, aproximadamente, 40 aldeias, no vale do Javari, no Amazonas".

A operação é uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Defesa, por intermédio do Comando da Aeronáutica, que levava às populações residentes em áreas rurais e indígenas de difícil acesso as vacinas do calendário básico de vacinação nacional, além de vacinas específicas para povos indígenas.

*Com colaboração do UOL Notícias, em São Paulo, e com informações da Agência Brasil

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