Índios matis ajudam equipes de resgate em acidente de avião na Amazônia

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Em Manaus

Atualizado às 17h48
  • Arte UOL

Um grupo de indígenas da etnia matis está ajudando as equipes de resgate a chegarem ao local onde o C-98 Caravan, da Força Aérea Brasileira (FAB), caiu na Floresta Amazônica na manhã de quinta-feira (29). De acordo com o administrador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Atalaia do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus), Jean Sales, foram os matis que localizaram a aeronave durante uma caçada na manhã desta sexta-feira (30).

Os matis deixaram a aldeia Aurélio em direção ao local do acidente por volta das 11h (horário de Brasília). Eles entraram em contato com a sede da Funai em Atalaia do Norte pelo rádio, informando sobre a expedição.

Jean Sales explica que os matis foram os responsáveis pela localização da aeronave. "Eles foram caçar e se depararam com a aeronave e os sobreviventes. Como eles têm um rádio-transmissor na aldeia Aurélio, os índios repassaram a informação pra gente e nós repassamos as coordenadas para a Aeronáutica", conta Jean.

Jean diz que a Aeronáutica fez uma espécie de triangulação para chegar ao local do acidente. "Nós informamos as coordenadas da aldeia Aurélio e da aldeia Rio Novo. Com essas informações, eles tiveram que sobrevoar uma área mais ou menos delimitada e encontraram os destroços", afirma.

Todos os nove sobreviventes foram resgatados por helicópteros da FAB e levados para a cidade de Cruzeiro do Sul (AC), onde recebem atendimento médico. Os sobreviventes passam bem, diz hospital.

  • Divulgação/FAB

    Imagem de arquivo mostra modelo idêntico ao que desapareceu

Os matis são indígenas que habitam o Vale do Javari, uma das regiões mais remotas da Amazônia. As aldeias onde vivem se concentram nas margens do rio Ituí, um afluente do rio Javari. Em expedições da Funai, são usados como guias por conhecerem bem as trilhas da região.

Os matis são conhecidos pelo uso de ossos e galhos de árvores perfurando os lábios e cartilagens dos narizes. Na região, são chamados de "cara de gato". São tidos como uma das etnias mais vulneráveis do planeta pela ONG Survival International. Atualmente, estima-se que haja pouco mais de 330 índios dessa etnia no Brasil.

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