Estiagem fora de época seca rios e mata milhares de peixes no Amazonas

Especial para o UOL Notícias Em Manaus

O prefeito Manaquiri (a 60 km de Manaus), Jair Souto, decretou situação de emergência no município que sofre com a seca prolongada. Mais de 14 mil pessoas foram afetadas pela estiagem e milhares de peixes morreram nos lagos e rios da região que estão secando. Há seis dias não chove na área e a previsão é de que a estiagem permaneça até o final do mês.

A seca em Manaquiri, município com pouco mais de 20 mil habitantes, ficou mais evidente no início desta semana. Quarenta e três comunidades foram atingidas. De acordo com o calendário amazônico, novembro é o mês em que a estação seca começar a cessar, entretanto, a região foi surpreendida com uma estiagem fora de época. "Aqui na região, a gente marcava o dia de finados (2 de novembro) como o dia em que as chuvas começavam. Neste ano, não choveu", diz o prefeito Jair Souto.

Souto afirma que pelo menos 2,5 alunos de 17 escolas tiveram as aulas suspensas por conta da seca na região que impede o transporte escolar fluvial, principal meio de locomoção na região. Além disso, garrafões de água mineral e caminhões pipa estão sendo enviados para as regiões afetadas.

Poços artesianos perfurados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na região da seca serão postos em funcionamento em caráter de urgência para atender as comunidades ribeirinhas mais distantes da sede do município.

Souto teme que a permanência da estiagem cause prejuízos ainda maiores. "Do jeito que a coisa está, se demorar tanto pra chover, vamos ter um cenário pior que o da seca de 2005, uma das maiores da história da Amazônia", afirmou o prefeito.

A seca atingiu o município justamente quando ele se recuperava de outro fenômeno climático agressivo: a cheia do início do ano, que foi a maior já registrada na Amazônia. "Com a cheia, perdemos sementes e tivemos que atrasar a plantação. Agora, a nossa produção de melancia está comprometida porque a seca está atrasando nossa colheita", disse o prefeito.

A chefe do Instituto Nacional de Meteorologia no Amazonas (Inmet), Lúcia Goulart, disse que ainda é cedo para supor que a estiagem deste ano atinja os níveis registrados em 2005. Ela explicou que a ausência de chuvas em Manaquiri se deve a um sistema meteorológico causado pelo fenômeno El Niño, que é o aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico equatorial. "Esse fenômeno foi o mesmo que causou a grande seca de 2005, mas ainda não temos como dizer que isso vai se repetir", diz Goulart.

A meteorologista afirma que a ausência de chuvas se concentra apenas na porção nordeste. "Em novembro, espera-se chuvas de 183 mm. Até agora, só choveu 140", afirma.

Goulart explica, entretanto, que, em outras regiões da Amazônia como a fronteira com a Colômbia, onde ficam cabeceiras de rios importantes como o Solimões e Negro, as chuvas estão ligeiramente acima do normal.

A reportagem do UOL Notícias tentou contato com a Defesa Civil do Estado do Amazonas, mas não obteve sucesso. Não há também informações sobre outros municípios comprometidos pela seca.

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