Mais 10 cidades decretam emergência no RS; 21 mil pessoas já deixaram suas casas

Flávio Ilha Especial para o UOL Notícias Em Porto Alegre

Mesmo que não tenha chovido forte nesta sexta-feira (27) em nenhuma região do Estado, mais dez cidades gaúchas decretaram situação de emergência em função do mau tempo que assola o Rio Grande do Sul há pelo menos 10 dias. Agora, são 75 municípios afetados pelas cheias de rios. Cerca de 21 mil pessoas, segundo a Defesa Civil do Estado, tiveram de sair de suas casas.

Chuva de novembro é cinco vezes maior que a média histórica em cidades do RS

Uma combinação incomum de fatores meteorológicos é responsável pelo maior volume de chuvas e temporais no Rio Grande do Sul na primavera em pelo menos 10 anos. Segundo o 8º Distrito de Meteorologia do Estado, que faz parte da rede do Inmet, em algumas cidades a precipitação de novembro é cinco vezes superior à média histórica do mês. A situação deve se manter até o início de dezembro


Em Canoas, na região metropolitana, 300 pessoas estão ilhadas pelo transbordamento do dique Rio Branco, que faz a contenção no rio dos Sinos. O rio está mais de três metros acima do nível normal e, segundo a Defesa Civil, continua subindo. Mais de 80 crianças da região estão sem aulas há 13 dias, desde que as últimas cheias começaram a afetar diversas regiões do Rio Grande do Sul.

O último temporal foi registrado na tarde de quinta-feira (26), na cidade de Três de Maio - noroeste do Estado. Segundo a Defesa Civil, a tempestade teve vento superior a 100 quilômetros horários e foi classificada como tornado. Casas, pontes e escolas da localidade de Progresso foram danificadas. Pela manhã, a cidade de Rio Grande - no extremo sul - havia sido atingida por vendaval de 109 km/h.

A governadora Yeda Crusius (PSDB) visitou a cidade nesta manhã. Junto com o prefeito Olívio Casali, ela acompanhou a entrega de 800 telhas para as famílias que tiveram as casas atingidas pelo tornado. A governadora lamentou que o Estado tenha se transformado num "corredor de mudanças climáticas" vindas do sul.

Em Alegrete, as famílias ainda estão alojadas em barracas próximas às suas casas. Mais de 300 pessoas que tiveram suas casas danificadas foram abrigadas em um ginásio de esportes. A Defesa Civil entregou três toneladas de arroz às comunidades necessitadas.

Vários rios do Estado ainda estão subindo em regiões atingidas pelas enchentes, como na fronteira oeste e no sul do Estado. Alegrete, Quaraí e Rio Pardo são as cidades mais afetadas. Em Uruguaiana, na divisa com a Argentina, seis famílias foram retiradas de casa nesta sexta-feira em função da cheia do rio Uruguai, que está mais de nove metros acima do nível normal. Mais de 500 pessoas estão fora de casa na cidade.

Em Rosário do Sul, o nível do rio Santa Maria baixou um metro. Mesmo assim, a Defesa Civil recomendou que os desabrigados permaneçam fora de suas casas porque há a perspectiva de mais chuva. Na ilha de Santo Antônio, em Camaquã, mais de 300 pessoas continuam ilhadas desde a última quarta-feira. A cidade tem no total 2.400 pessoas desalojadas pela chuva.

No total, os temporais dos últimos dias já mataram oito pessoas no Estado e destruíram 292 casas. Mais de 15 mil residências foram danificadas. Dez rodovias sofreram danos e estão parcialmente bloqueadas no RS.

Neste sábado (28), uma comitiva de ministros visita o Estado para acompanhar de perto o socorro às vítimas. O governo estuda a possibilidade de liberar, por meio de medida provisória, recursos federais para auxílio aos flagelados no Rio Grande do Sul.

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