Em cinco anos, 11 morrem em obras de expansão do Metrô de São Paulo

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A morte do operário Raimundo Maria de Almeida, 49, atingido nessa segunda-feira (14) por um trilho de aço de 700 kg enquanto trabalhava na construção da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, elevou para onze o número de mortos nas obras de expansão do metrô paulista nos últimos cinco anos. O acidente de ontem ocorreu entre as estações Tamanduateí e Vila Prudente, na zona leste da capital.

Entre março de 2005 e dezembro deste ano, ocorreram ao menos 13 incidentes graves nas obras de expansão da malha metroviária de São Paulo, segundo levantamento do Sindicato dos Metroviários. O caso mais marcante ocorreu em 12 de janeiro de 2007, quando sete pessoas morreram em um desabamento no canteiro de obras da futura estação Pinheiros, da Linha 4-Amarela.

Antes, em 16 de março de 2005, três trabalhadores ficaram feridos após explosão no canteiro de obras da estação Butantã, provocada pela detonação de uma espoleta para implosão de rochas. Em 21 de novembro do mesmo ano, um vazamento de gás, causado por uma escavadeira que danificou a tubulação, paralisou as obras da estação Fradique Coutinho.

Em 2 de dezembro de 2005, um acidente semelhante ao ocorrido na última segunda, porém com um final menos triste: um funcionário que trabalhava na estação Vila Sônia foi atingido por uma barra de ferro e caiu em um poço de 27 metros, mas apenas teve a perna quebrada.

Um dia depois, uma casa afundou e a edícula de outra desabou em razão de uma infiltração de água nas escavações do metrô entre as estações Faria Lima e Pinheiros. Outras três residências foram interditadas por medida de segurança. Na mesma semana, a parede de uma loja na avenida Cásper Líbero, no centro, desabou durante a demolição de um prédio que dará lugar a uma estação.

Em janeiro de 2006, 4.000 casas ficaram sem conexão telefônica por três dias após os cabos telefônicos serem atingidos no momento em que técnicos do Metrô faziam a medição do nível de água no subsolo próximo a estação Oscar Freire. Em abril, na mesma estação, uma fissura encontrada na parede de um túnel do Metrô provocou a interdição de oito casas na rua João Elias Saad.

Menos de um mês depois, um carro atingido por uma picape quase caiu em um buraco com 35 metros de profundidade, aberto nas obras da estação Oscar Freire, em um local com sinalização precária. Em 27 de junho, um operário que trabalhava nas obras da estação Fradique Coutinho foi soterrado após um deslizamento de terra. Ele foi encaminhado ao Hospital das Clínicas com ferimentos leves.

Em 3 de outubro de 2006, a primeira morte nas obras da Linha 4: o operário José Alves de Souza morreu soterrado depois de um desmoronamento em um túnel de 25 metros de profundidade na estação Oscar Freire. Outro operário sofreu apenas escoriações.

O operário José Alves de Souza morreu soterrado depois de um desmoronamento em um túnel de 25 metros de profundidade na estação Oscar Freire. Outro operário sofreu escoriações e foi levado ao Hospital das Clínicas. Já em outubro de 2008, um carpinteiro morreu após cair em um buraco de 30 metros, aberto nas obras da estação Paulista.

"Obras em ritmo acelerado"
Na avaliação de Manoel Xavier Lemos Filho, técnico do Metrô em projetos de expansão, uma possível aceleração no ritmo das obras pode ter causado tantos acidentes nos últimos anos, inclusive o ocorrido na última segunda-feira. "As obras estão em um ritmo muito acelerado, principalmente na linha 2", diz.

Para Lemos Filho, considerando o atual estágio das obras, "não há condições de concluir a obra até março", prazo prometido pelo governo do Estado de São Paulo para a conclusão do trecho em que Raimundo trabalhava. Março é ainda o prazo limite para a desincompatibilização do governador José Serra, caso dispute o Planalto pelo PSDB.

"As empreiteiras estão sendo pressionadas pelo governo para que consigam concluir a obra até março, e isso prejudica o trabalho e a segurança dos operários", afirma.

Segundo Lemos Filho, a morte de Raimundo foi causada por falhas na segurança e na execução da obra. "Em algum momento a segurança falhou. Enquanto está se transportando uma carga pesada, não pode acontecer de um trabalhador estar embaixo, executando outra atividade", diz.

Ontem (14), em comunicado à imprensa, a Galvão Engenharia, construtora contratada para a obra, informou que está apurando as causas do acidente e disse que o içamento de materiais e equipamentos faz parte da rotina diária dos serviços na obra. A empreiteira disse que prestará toda a assistência à família do operário morto.

A reportagem do UOL Notícias perguntou à empresa se as obras estão ocorrendo em ritmo acelerado, mas até o momento não obteve resposta. A Secretaria do Estado de Transportes disse que só poderá responder sobre o assunto nesta quarta-feira (16).

A Delegacia de Investigações sobre Infração contra a Organização Sindical e Acidentes do Trabalho (Dosat) assumiu as investigações da morte do operário e intimou operários e técnicos que trabalham na obra a prestar esclarecimentos sobre as condições de trabalho no local e as circunstâncias da morte de Raimundo.

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