Técnica pioneira pode ajudar SP a duplicar as doses de vacina contra a gripe suína

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em uma ação econômica aos cofres públicos, o governo estadual paulista deverá usar uma técnica pioneira para turbinar os lotes das vacinas contra a gripe suína.

Utilizando um adjuvante patenteado no Brasil, substância que aumenta o poder das doses, o Instituto Butantã espera duplicar a potência de parte do material comprado, dividindo o custo da ação em 50%.

Com esse processo, por exemplo, 17 milhões de doses adquiridas pelo Ministério da Saúde de laboratórios franceses poderão ser transformadas em 34 milhões. A execução do procedimento ainda depende de uma autorização da Agência Nacional Vigilância Sanitária (ANVISA), mas as autoridades de São Paulo já fizeram testes semelhantes e estão confiantes na possibilidade de êxito e esperançosos pela aprovação da medida.

"O custo cai pela metade e o poder imunogênico é bem maior, o que facilita ao Brasil enfrentar uma situação delicada novamente", disse o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, que anunciou a novidade em coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (5), ao lado do governador José Serra (PSDB).

Além desse lote que será "turbinado", o Instituto Butantã irá ainda ajudar o Ministério da Saúde armazenando 1 milhão de doses importadas prontas - 600 mil já chegaram - e rotulando outros 23 milhões de frascos, que devem ser adquiridos dos Estados Unidos.

No total, sem contar a possível duplicata, serão 41 milhões de doses que serão de alguma forma manuseadas em São Paulo. Essa parceria faz parte dos esforços do Ministério da Saúde, que pretende comprar 83 milhões de doses para a estratégia de vacinação contra a gripe pandêmica, que deve ser realizada entre março e abril deste ano. O investimento total da pasta é de cerca de R$ 1 bilhão.

Vacinação
Atualmente, segundo comunicado do ministério, as vacinas ainda não serão usadas na população. "As doses serão distribuídas nacionalmente quando houver estoque suficiente para viabilizar a estratégia de vacinação simultanamente em todo o país", disse o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Gerson Penna.

Os grupos prioritários que receberão a vacina contra o vírus da gripe A (H1N1) serão estabelecidos com base em critérios epidemiológicos, seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre esses grupos, estão grávidas, trabalhadores de saúde envolvidos no atendimento aos pacientes, crianças entre 6 meses e 2 anos, indígenas e pessoas com doenças crônicas preexistentes (cardíacas, pulmonares, renais, metabólicas etc.).

Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e chefe do laboratório de Virologia da instituição, argumenta que os esforços no país estão dentro dos prazos esperados e que a quantidade de vacina que deve ser utilizada no Brasil é suficiente. "A gripe suína não teve uma gravidade tão grande como a esperada. Inicialmente, se pensava que seriam necessárias duas doses para a imunização, já que era um vírus diferente. No final das contas, estudos mostraram que bastava uma dose e que, em pessoas idosas, até a vacina sazonal tradicional já funcionava como inibidora para a doença", diz.

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