Mais de 260 anos depois, ação pode impedir os tradicionais jegues e cavalos na festa do Bonfim na Bahia

Especial para o UOL Notícias Em Salvador

Uma ação civil pública impetrada na manhã desta segunda-feira (11) pode impedir uma das maiores tradições da festa do Senhor do Bonfim, a segunda mais importante do calendário popular da Bahia, depois do Carnaval. O processo, movido pelo Ministério Público Estadual, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) da Bahia e duas entidades ligadas à defesa dos animais pretende proibir a presença de cavalos e jegues na festa que existe há mais de 260 anos.

De acordo com os responsáveis pela ação, o objetivo é impedir os maus-tratos contra os animais utilizados para puxar as carroças enfeitadas, que integram o cortejo da Festa do Senhor do Bonfim, que acontece na próxima quinta-feira (14). As entidades alegam que a prática contraria a Lei de Crimes Ambientais.

Nos anos anteriores, os cavalos e jegues transportavam os "fiéis" durante oito quilômetros - percurso entre a igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia até a igreja do Bonfim. Na maioria das vezes, os cavalos e jegues fazem o percurso sob um calor de mais de 30 graus e em meio a uma multidão estimada em 1 milhão de pessoas pela PM.

"Não podemos mais aceitar que animais sejam maltratados em nome da tradição, caminhando sob um sol escaldante, com sede, e submetidos ao estresse causado pelos fogos de artifício, gritos e outros tipos de poluição sonora", afirmou o ambientalista Carlos Fernandes Magno, 32.

Caso a Justiça acate a ação, a Prefeitura de Salvador será a responsável pela proibição dos animais na festa, sob pena de pagar uma multa de R$ 100 mil. A prefeitura informou que aguarda a decisão da Justiça para adotar as providências. Outra novidade da festa este ano beneficia os portadores de deficiência. Neste domingo (10), o governo estadual entregou à comunidade uma rampa (investimento de R$ 56 mil) para facilitar o acesso dos portadores de deficiência ao tempo. "A construção atende à legislação de acessibilidade e o direito de ir e vir do cidadão", disse o governador Jaques Wagner (PT).

Segurança
A segurança dos participantes da festa será feita por 2.300 policiais militares, segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública). O efetivo será distribuído pelo percurso do cortejo a partir desta terça-feira (12) e em todos os 40 pontos de interdição de tráfego.

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