Idiomas indígenas estão ameaçados de extinção, diz ONU

Herika Pacheco
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Idiomas indígenas estão ameaçados no mundo, segundo estudo inédito divulgado nesta quinta-feira (14) pela ONU (Organização das Nações Unidas) em nove países, entre eles, o Brasil.

Indígenas representam um terço da população mais pobre do mundo, diz ONU

Os índios representam cerca de um terço das 900 milhões de pessoas que vivem em extrema pobreza em áreas rurais no mundo, segundo o primeiro relatório mundial sobre a situação dos povos indígenas da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado nesta quinta-feira, no Rio



A pesquisa foi lançada simultaneamente em Nova York, Bruxelas, Manila, Canberra, no México, em Moscou, Pretória, Bogotá e no Rio. A publicação, produzida pelo Secretariado do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas das Nações Unidas, mostra dados sobre pobreza, saúde, trabalho, direitos humanos e meio ambiente, entre outros temas.

Segundo o estudo, estima-se que existam atualmente 6.500 idiomas indígenas falados no mundo e que 90% deles vão desaparecer nos próximos 100 anos. A possibilidade de a tradição indígena ser extinta também foi diagnosticada nas comunidades brasileiras. Conforme o relatório, uma das causas é que a maioria dos índios não ensina sua língua para as futuras gerações.

"A linguagem é mais do que uma forma de se comunicar, ela está ligada à tradição, é parte da identidade dos índios, mas a maioria [das línguas e dialetos] é falada por pouquíssimas pessoas. Quase 97% da população indígena mundial falam 4% dos idiomas", afirma o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil, Giancarlo Summa, que divulgou o relatório na capital fluminense.

Dos 370 milhões de índios que vivem em 90 países, o Brasil contabiliza um milhão. Metade vive em aldeias, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Cento e oitenta idiomas indígenas são falados do país.

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Devastação amazônica
Entre os problemas mais graves nas comunidades indígenas do Brasil, o estudo aponta a perda dos territórios e de recursos naturais, por fatores como a agropecuária na Amazônia.

"Do ponto de vista ambiental, se observamos o mapa da Amazônia, vamos perceber que tudo o que não pertence à área indígena está sendo devastado. As áreas dos índios são as únicas preservadas", diz o articulador dos direitos indígenas do Comitê Inter-Tribral - Memória e Ciência Indígena e membro da Cátedra Indígena Itinerante, Marcos Terena, que participou da apresentação do estudo.

Segundo Terena, a pecuária e a monocultura no Brasil "são o pivô dos protestos contra a demarcação dos territórios indígenas". "No Mato Grosso, onde está a segunda maior população indígena do país, 70 mil pessoas, a devastação e a violência são comuns. É preciso que haja uma espécie de reforma agrária para os índios", defende.

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