Refém é libertado em rebelião no Paraná; motim deixa ao menos três mortos

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 13h05

Presos da Penitenciária Central do Estado (PCE) do Paraná, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, estão rebelados desde a noite de quinta-feira (14). O motim já dura mais de 14 horas. Na madrugada de hoje, uma mensagem postada no microblog Twitter do governador do Paraná, Roberto Requião, citava a morte de três detentos no local.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná não confirma número de mortos, mas informa que um refém foi liberado pelos presos após negociação com os policiais. Antonio Alves sofreu lesões leves e passa bem. De acordo com informações de policiais que trabalham nas negociações do lado de fora do presídio, os líderes da rebelião afirmam que sete pessoas morreram.

  • Futura Press

    Presos da Penitenciária Central do Estado, em Piraquara (PR), são vistos no telhado de prédio


Negociadores da Polícia Militar continuam no local para que mais dois agentes sejam libertados. A expectativa é de que os presos se rendam e liberem a PCE para a entrada da polícia. No local, também estão o secretário da Justiça do Paraná, Jair Ramos Braga, responsável pelos presídios no Estado, e também o juiz corregedor Marcio Tokars.

O comandante-geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Luiz Rodrigo Larson Carstens, negou qualquer relação entre a rebelião que e a saída dos agentes que ajudavam na segurança interna do presídio desde 2001. Funcionários da penitenciária alertaram sobre a possibilidade de motim no caso de retirada dos policiais no início desta semana.

"Não tem relação direta. Os agentes precisam entender que era preciso reforçar a atuação dos policiais em outras áreas de Curitiba e Região. A causa da rebelião é a briga entre facções rivais", disse o comandante, que investiga se algum funcionário facilitou a entrada de armas brancas no presídio.

Carstens evitou contradizer a declaração do governador Requião sobre mortos. "Antes de falarmos em números vamos esperar o fim da rebelião. Depois que os policiais puderem entrar na penitenciária e avaliar a situação, falaremos em números", afirmou.

A rebelião aconteceu justamente no período em que policiais militares deixaram de ajudar na segurança da PCE, para atuar na Operação Verão e reforçar a segurança no Estado. Os policiais militares ajudavam na segurança interna desde 2001, quando uma rebelião deixou um saldo de quatro mortos (um agente e três detentos). A PCE abriga cerca de 1.500 presos em um espaço projetado inicialmente para 500 pessoas.

Durante a tarde de quinta-feira, a tensão já era grande no local, relataran testemunhas. Antes mesmo do início do motim, representantes do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) alertavam sobre o risco iminente de rebelião. "Todos sabem que a Penitenciária Central do Estado é um barril de pólvora e agora acenderam o pavio", disse Clayton Auwerter, representante da instituição, à reportagem.

A PCE abriga cerca de 1.500 presos em um espaço projetado inicialmente para 500 pessoas. Colchões de 14 alas foram incendiados.

Os rebelados exigem a presença de um juiz, dos jornalistas e radialistas e a participação de representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) nas negociações.

A secretária da Comissão de Direitos Humanos da OAB/PR, Isabel Kugler Mendes, disse que oito detentos feridos foram retirados da PEC em uma ambulância.

Até o fim da manhã desta sexta-feira (15), os presos reivindicavam transferência para presídios mais próximos de suas casas, modificação no sistema de visitas, verificação de penas e mais tempo para banho de sol.

*Com informações de Eduardo Correa, especial para o UOL Notícias em Curitiba, e Secretaria de Segurança Pública do Paraná

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