"O carro começava a balançar na água", relata Maurício de Sousa

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Reprodução

    Maurício de Sousa ficou preso em alagamento
    na zona oeste de São Paulo...

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    ... ele estava com o filho e tirou fotos da água,
    que chegou a entrar no carro...

  • Apu Gomes/Folha Imagem

    Na mesma região, criança foram fotografadas brincando em água suja na avenida Gastão Vidigal


Durante a forte chuva que atingiu São Paulo na madrugada desta quinta-feira (21), uma das vítimas dos alagamentos foi o cartunista Maurício de Sousa, que ficou preso próximo ao Parque Villa Lobos, na zona oeste da capital, quando voltava para casa com o filho após acompanhar a partida entre Corinthians e Bragantino no Estádio do Pacaembu. "Meu carro engasga e para numa rua que não devia ser rio", contou ele em seu microblog Twitter. "O carro já começava a balançar na água. Ia virar barquinho".

Assim como inúmeros paulistanos, ele viu de perto o grande volume de água nas ruas da cidade e culpa a falta de planejamento pelos transtornos. "Quando percebi o tamanho do perigo, já não podia ir mais pra frente ou pra trás. As águas começavam a entrar no carro", descreveu. "Paguei meu tributo (aliás, vou pagar um monte) pela falta de planejamento no crescimento da cidade", desabafou.

Ele disse que precisou da ajuda da filha para conseguir deixar o local alagado. "Felizmente a chuva amainou e a Marina, minha filha heróica, chegou para me resgatar. Enfrentou a madrugada chuvosa e foi me buscar no meio da água. O carro, coitado, está lá, esperando guincho."

A internauta que se identificou como Anna Christina C. Nogueira escreveu no grupo de discussões do UOL que estava perto do local onde Maurício de Sousa enfrentou problemas, e que a água passou de 1,30 metro na Praça Gastão Vidigal, em frente à rua onde ela mora, no Jardim Paulistano, na zona oeste.

"Apesar de ter comporta em meu portão, a água entrou dentro de casa pela caixa de correio, que fica numa altura de 1,20 metro. Nossa maior preocupação era a caixa de luz. Por um triz não entrou água. Tapetes, sofás... Tudo alagado. Sujeira de esgoto por toda a casa. Foi uma noite sem dormir. E ainda temos que pagar IPTU, com todos esses prejuízos? E nossa saúde como fica?", escreveu.

Na zona sul também foram registrados diversos pontos de alagamento. O engenheiro Aldo Augusto Bergamasco, 45, que mora em um prédio da rua Professor Ascendino Reis, na Vila Clementino, próximo ao Tribunal de Contas de São Paulo, contou que a força da água foi tão grande que derrubou o portão da garagem. Cerca de 40 carros, que estavam em dois subsolos, foram danificados. Houve ainda interrupção da luz, da água e do gás.
  • Ana Luisa Bartholomeu/UOL

    Foto da rua Professor Ascendino Reis, na Vila Clementino, no dia 11/01. Ela voltou a ficar alagada após a forte chuva da madrugada

  • Guilherme Lara Campos/AE

    Casa na rua Ibijaú, no bairro de Moema, teve seu muro e diversos móveis e eletrônicos destruídos pela força da água durante forte chuva



Os alagamentos são tão recorrentes que os moradores do prédio formaram uma comissão para reclamar na Prefeitura. "Esse ano piorou muito. Só neste mês já tivemos quatro ou cinco grandes alagamentos nesta área. Já reclamamos, mas as obras de drenagem não são feitas, as galerias e os bueiros não são limpos e a Prefeitura nem considera aqui uma área de alagamento. A última limpeza das galeria aconteceu há 1 ano e meio", afirmou.

De acordo com ele, as árvores da região também estão comprometidas. "Nunca vi tanta árvore cair. Elas são muito antigas e estão cheias de cupim, a gente vê a serragem no pé das árvores. Mas quando pedimos para a Prefeitura averiguar, eles disseram que nós estávamos sabotando as árvores", disse.

Em Moema, também na zona sul, a rua Ibijaú mais uma vez registrou grande alagamento. "É recorrente. Tivemos problemas de domingo para segunda, de terça para quarta e de quarta para quinta. Entrou água em todas as casas, mesmo com comporta. Entrou água também pelo ralo, pela tubulação", explicou Marlon Vital, dono de um cabeleireiro na rua.

Segundo ele, há muito lixo acumulado ali e, por conta da reincidência dos alagamentos, as paredes já apresentam mofo e muito umidade.

A vizinha de Vital, que mora na região desde 1952, ressalta que as enchentes estão piorando. "Existe algum problema que a Prefeitura está escondendo. Não é normal ter esse tanto de água. Antigamente, enchia uma vez por ano e nunca nessa quantidade de água. Mas faz dois anos que piorou", relatou Maria Rita Comenale Lembo, 62, dona de uma rotisserie na alameda Jauaperi.

Ela disse ainda que por ali passava o córrego Uberabinha, que foi canalizado. "O problema é que fizeram um canal muito estreito e a água não escorre quando vem nesse volume", acredita.

"Moro no Brooklin, no final da avenida Berrini, há 30 anos e nunca vi aquilo. Minha rua parecia um rio. Muita gente perdeu tudo. E agora, quem vai arcar com o prejuízo dessas pessoas? Minha rua honrou o nome dela, rio da Prata", escreveu o internauta que se identificou como Rodrigo Fraccari.

Outro que enfrentou problemas foi o internauta que assinou como Fabio Maiorquim. "Já levo três horas para chegar até a empresa. Hoje levei 5 horas. Pelo caminho, vi carros abandonados com água beirando a porta, pessoas ilhadas sem saber pra onde ir. Só consegui chegar porque o ônibus enfrentou as águas", escreveu.

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