Com decreto federal, baianas de acarajé ganham dia nacional

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Elas são um dos principais cartões postais da Bahia, facilmente identificadas com suas saias rodadas, colares coloridos e sorriso largo. Símbolos do turismo e da culinária, agora as baianas de acarajé ganharam um reconhecimento do governo federal: o dia estadual dedicado a elas transformou-se em data nacional. Por força de um decreto, o dia 25 de novembro agora é o Dia Nacional da Baiana de Acarajé.

A medida, já publicada no Diário Oficial da União, atendeu a uma reivindicação da principal entidade representativa da categoria, a Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares do Estado da Bahia (Abam), que tem como presidente uma carioca. Rita Maria Ventura dos Santos está na Bahia há 26 anos e há 10 adotou a imagem e o ofício da baiana de acarajé. Ela é mãe de Felipe, goleiro do Corinthians.
  • 16.08.2005 - Silvio Cioffi/Folha Imagem

    O dia 25 de novembro agora é o Dia Nacional da Baiana de Acarajé. O bolinho tem preços que se diferenciam de acordo com a localização do ponto de venda em Salvador (BA). Nos bairros periféricos podem ser encontrados por R$ 2. Já nas regiões consideradas nobres e de grande fluxo turístico, o preço chega a R$ 4, com camarão


Rita está programando um grande evento para celebrar a conquista, mas vai esperar o Carnaval passar, para dar peso à festividade. Ela acredita que o decreto federal representa uma conquista a mais para a categoria, além de um reconhecimento da sua participação na cultura brasileira.

"Quem viaja para o exterior sabe que a imagem do Brasil está associada às baianas. Só no Brasil somos identificadas como sendo apenas símbolo da Bahia", observa Rita, que comercializa os bolinhos fritos em azeite de dendê na rua Chile, no centro de Salvador.

Segundo a Abam, são 2.700 quituteiras cadastradas em Salvador. Entretanto, somando-se as não associadas, passam de 5.000 as baianas na capital, que vendem acarajé, abará, bolinho de estudantes e outras iguarias encontradas em seus tabuleiros.

A associação pretende realizar este ano um censo com o objetivo de mapear o número exato de baianas em Salvador e entorno."Trata-se de uma atividade econômica importante, precisamos ter esses números com exatidão. Por trás de cada baiana existe entre quatro e cinco pessoas que sobrevivem do ofício", afirma Rita.

Profissionais divergem sobre data
Trabalhando há mais de 10 anos como baiano de acarajé, Gervásio Vieira não vê vantagem na iniciativa do governo federal de nacionalizar o dia dedicado aos profissionais da área.

"As baianas de acarajé são tradicionais da Bahia. Não há motivos para termos uma data nacional, até porque não são tantas as profissionais fora do Estado para justificar a medida", diz ele, acrescentando que uma divulgação maior da data estadual e do produto seria o suficiente.

Uma das mais conhecidas baianas da capital, Regina, com dois pontos localizados nos bairros do Rio Vermelho e da Graça, discorda. "Merecemos uma data nacional, sim, afinal, somos um símbolo desse país", disse. "As pessoas reclamam quando aumentamos o preço do acarajé, mas não lembram que pagamos, por exemplo, R$ 22 pelo quilo do camarão".

Nos últimos anos as baianas de acarajé vêm obtendo conquistas: a profissão foi regulamentada, com direito a aposentadoria; portarias subsequentes determinaram a padronização da indumentária e dos tabuleiros; o ofício foi registrado como bem cultural de natureza imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional; e agora, o Memorial da Baiana, no centro histórico de Salvador, está sendo cadastrado no Instituto Brasileiro de Museus.

Vendas
O acarajé, na sua origem, estava diretamente associado ao candomblé, servido como comida sagrada, em forma de oferenda aos orixás.

O bolinho tem preços que se diferenciam de acordo com a localização do ponto de venda. Nos bairros periféricos podem ser encontrados por R$ 2. Já nas regiões consideradas nobres e de grande fluxo turístico, o preço chega a R$ 4, com camarão. Sem a iguaria, em geral, o valor é reduzido entre R$ 0,50 a R$1.

Conforme a presidente da Abam, diferentemente do imaginário comum, os turistas não são os principais consumidores do acarajé, mas a própria população baiana, que incorporou o hábito de saborear o bolinho nos finais de tarde. Ela acredita que sejam fritos mensalmente algo em torno de 12 milhões de unidades em todo o Estado, 70% desses em Salvador.

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