Taxista que matou por estar embriagado admite que álcool acabou com a sua vida

Heliana Frazão||Para o UOL Notícias

Em Salvador

“O álcool só destrói, acabou com minha vida e me fez acabar com a vida daquele casal”. O desabafo e reconhecimento tardio são do taxista baiano Itamar Vieira Cravo, 61 anos, que na quinta-feira (28), após sair de uma festa, sob forte efeito de bebida alcoólica, jogou o seu veículo, que estava na contramão, contra o carro do casal de comerciantes José Augusto de Souza, 73 anos, e Maria Andrade de Souza, de 68. As vítimas tiveram morte instantânea.

O crime comoveu a população de Salvador e levou dor e consternação a parentes, amigos e funcionários do casal, proprietário de uma padaria na Avenida Sete de Setembro, centro da cidade. Eles estavam casados havia 50 anos, tinham dois filhos e quatro netos. Na hora do acidente, o casal seguia para o trabalho.

Detido em flagrante, Itamar mal conseguia se equilibrar em pé e as palavras soavam entrecortadas. Também não passou no teste do bafômetro. Diante das evidências de embriaguez, ele não teve como negar: “Bebi muito. Além de várias doses de whisky, tomei cerveja”, contou à delegada Patrícia Nuno, titular da 1ª CP, localizada no bairro do Barris, onde permanece preso.

O acidente ocorreu próximo à delegacia. Itamar estava tão bêbado que chegou a cochilar, sentado, enquanto aguardava para ser ouvido pela delegada.

A polícia constatou que o taxista tem antecedentes criminais. Além de estar com a carteira de habilitação vencida há 45 dias, ele responde a outro processo por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) por atropelamento e morte no trânsito, em 2001.

O crime para quem atropela e mata no trânsito varia de 2 a 4 anos de reclusão, mas, se o motivo for embriaguez, a pena pode aumentar.

Segundo a delegada, dessa vez Itamar deverá ser indiciado por duplo homicídio doloso (quando há a intenção de matar).

Culpa
Recuperada a lucidez, ele diz que vai precisar reunir forças para continuar vivendo com a culpa. Sabe que se matar não irá adiantar porque não trará o casal de volta portanto, a culpa se encarregará de puni-lo, juntamente com a lei. “Já estou preso e pagarei pelo fiz. Mereço ser condenado pelos homens e por Deus. Espero que Ele (Deus) se encarregue de confortar essa família que destruí com a bebida”, declarou, conforme alguns policiais da delegacia.

O taxista disse ainda se sente meio desorientado, sem saber ao certo como tudo aconteceu. Revelou em depoimento, na sexta-feira (29) não lembrar de nada. Apenas que entrou na contramão e viu o outro carro vindo na sua direção. “Depois disso, não sei o que aconteceu. Só fiquei sabendo que eles morreram aqui na delegacia”, contou.

Além de José Augusto e Maria Andrade, um funcionário do casal que também estava no veículo, mas conseguiu sobreviver. Valdenilson Santana, de 37 anos, teve ferimentos no rosto e cabeça, mas não corre risco de morte. Ele está internado no Hospital Geral do Estado. Como estava no banco traseiro, sofreu menos o impacto da colisão frontal entre os dois veículos.

O taxista contou ainda que tinha saído de uma festa de aniversário em companhia de duas amigas. Depois de levá-las para casa, seguiu para sua residência. Ele ressaltou que se sentiu à vontade para dirigir depois de beber porque, geralmente, os motoristas de táxi são liberados nas blitze.

Segundo afirmou, o motorista bebe e vai para casa porque sabe que não vai ser parado por ser um profissional do trânsito, e garantiu já ter bebido muito mais que o ingerido na quinta-feira e ainda assim conseguiu dirigir. Disse que, como profissional do trânsito, sabe que acidentes acontecem, mas reconhece agora que podem ser ainda mais desastrosos quando combinados com bebida.

Quanto ao crime cometido em 2001, ele alega inocência. A vítima teria sido atropelada por um caminhão, que a teria jogado contra o seu carro.

O filho mais velho do casal, Gilvan Andrade, de 41 anos, diz que perdoa o taxista porque seus pais o ensinaram a perdoar. Explica que o perdão é uma homenagem aos pais, mas observa que, se o taxista tivesse sido detido da primeira vez, provavelmente não teria matado os seus pais agora.

Lei Seca
Números da Superintendência de Trânsito e Transportes de Salvador (Transalvador) mostram que desde que a Lei Seca entrou em vigor (julho de 2008) até o início de janeiro deste ano, foram abordados pela fiscalização 64.336 veículos na capital baiana.

Em 2008, 628 motoristas apresentaram algum índice de alcoolemia, tendo a habilitação retida e sendo obrigados a pagar multa. Já outros 117 motoristas foram flagrados com índice elevado de alcoolemia, sendo submetidos a tais penalidades e ainda autuados em delegacia.

No ano passado, 2004 motoristas foram flagrados, 335 detidos por embriagues. Nesse primeiro mês de janeiro de 2010, 154 condutores sofreram penalidades administrativas e 13 cometeram crime de trânsito.

 

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