Impedidos pela Justiça de entrar em greve, policiais anunciam bloco de protesto no Carnaval baiano

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias

Em Salvador

Os policiais civis da Bahia estão proibidos de parar as atividades durante o Carnaval de Salvador, que começa oficialmente no dia 11. Eles se reuniram em assembleia nesta sexta-feira (5) para confirmar a paralisação, que vem sendo anunciada há pelo menos um mês, mas foram impedidos de seguir adiante com proposta em razão de uma ordem judicial expedida pelo juiz Mário Albiane Jr, da 5ª Vara da Fazenda Pública. O juiz disse que a greve teria cunho político e vetou a paralisação no período festivo.

O vice-presidente do Sindicato os Policiais Civis da Bahia (Sindipoc), Marcos Oliveira, diz que o Sindicato, embora tenha acolhido temporariamente a medida, já recorreu da decisão. Os policiais planejavam cruzar os braços por 72 horas, entre os dias 13 e 15, deixando apenas 30% do efetivo em atividade. “Estamos recorrendo, visando derrubar a liminar do juiz, para expor à população, durante a festa, a forma como o governo trata a polícia, sem nos dar os nossos direitos”, disse o sindicalista.

Eles cobram a nomeação de 830 agentes concursados em 1997 e já preparados pela Academia de Polícia Civil (Acadepol), que aguardam apenas a nomeação para entrar em atividade; equiparação salarial entre os ativos e inativos; adicional insalubridade e aposentadoria especial.
Diante do impedimento judicial, os policiais encontraram uma outra forma para protestar durante os dias da folia: vão formar um bloco "Cadê a minha URV?" na segunda-feira (15). Aqueles que estiverem de folga, levarão para a avenida faixas e cartazes, cobrando ação do governo estadual.

Os policiais se juntarão à tradicional Mudança do Garcia, um bloco criado na primeira metade do século passado, marcado pela irreverência. O bloco desfila sem cordas e, diferentemente das agremiações acompanhadas por trios elétricos, leva para o principal circuito da folia animais, carroças e uma multidão para protestar contra os governos municipal, estadual e federal.

"Pela primeira vez estaremos do lado de dentro do bloco, como foliões, cobrando os nossos direitos”, diz Carlos Lima, presidente do Sindpoc.
Marcos Oliveira disse ainda que a corporação seguirá com a entrega da custódia dos presos, iniciada no dia 28 de janeiros na cidade de Itabuna. “Permaneceremos sem tomar conta dos presos. Isso inclui as visitas, alimentação, condução para o Fórum e para as celas”, disse Oliveira. Os policiais entendem que a custódia dos presos que aguardam julgamento pertence à Justiça e deve ser feita nos presídios e não nas delegacias.

Conforme ainda o sindicalista, os policiais civis tem em mãos uma ordem judicial que determina a retirada de todos os presos das delegacias da Bahia.

Entretanto, a juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Salvador, Andremara dos Santos, negou ter concedido liminar ao sindicato e acatou o pedido de entrega dos presos. A organização havia solicitado à Justiça que determinasse a transferência de presos provisórios das delegacias para presídios. A magistrada explicou ter solicitado ao Ministério Público que se manifeste sobre a reivindicação e que os secretários de Segurança Pública, César Nunes, e da Justiça e Direitos Humanos, Nelson Pelegrino, consultem os cronogramas de cada pasta, num prazo de cinco dias, para que haja a tentativa de cumprir a reivindicação dos policiais.

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