Mulher agredida com uma pedra por índios em Londrina (PR) permanece em estado grave

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Atualizado às 20h06

Atingida na cabeça por uma pedra arremessada por índios que ocupam a sede da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Londrina (PR) há quase um mês, Érica Pedrão Brito, 34, permanece internada em estado grave, com risco de morte, segundo a assessoria de imprensa do Hospital Evangélico. A paciente está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital desde sábado (5), data da agressão.

Érica sofreu traumatismo craniano e respira com a ajuda de aparelhos. Apesar da gravidade do caso, o quadro clínico da paciente permanece estável desde que ela foi submetida a uma drenagem de hematoma no cérebro, logo após ser internada. Hoje, o hospital recebeu a doação uma bolsa de sangue para auxiliar no tratamento da paciente, segundo a assessoria.

Há duas versões para a agressão: segundo familiares de Érica, ela e o marido Anderson trafegavam por uma avenida na madrugada de sábado, depois de participarem de um churrasco com amigos, e teriam visto pessoas ao redor do carro. De repente, objetos começaram a ser arremessados. Para fugir, Anderson acelerou, mas uma pedra de concreto de aproximadamente 1,5 kg atingiu o capô do carro, quebrou o para-brisa e acertou a cabeça da mulher.

Já de acordo com os índios, Anderson tentou furar uma barreira na rua frente à sede da Funai e avançou com o carro em cima do grupo. "O Fusca veio em alta velocidade e atravessou a barreira. Foi gritado para ele parar, mas ele jogou o carro contra as pessoas, e por isso houve o confronto”, disse Elói Jacinto, um dos ocupantes da sede.

Um pouco antes do incidente envolvendo Érica, indivíduos que ocupavam um carro e uma motocicleta passaram pelo local e efetuaram disparos que atingiram um índio de 14 anos na perna. Ferido, ele foi levado para uma aldeia próxima, recebeu curativo e passa bem. Segundo Jacinto, em razão dos disparos, os índios estavam assustados e acabaram se precipitando quando o fusca dirigido por Anderson tentou furar o bloqueio. "O pessoal estava meio amedrontado e decidiu fazer a barreira com cadeiras, cones e outros objetos", disse.

O Departamento de Homicídios da Polícia Civil investiga os dois incidentes. O primeiro a depor foi do marido de Érica, na tarde desta terça-feira (9). Índios e testemunhas serão os próximos. Segundo a polícia, o período para o término do inquérito é de 30 dias.

Razões da ocupação
Jacinto disse que os índios pretendem manter a ocupação do prédio da Funai, com o objetivo de pressionar as autoridades para que seja revisto o decreto 7.056 de 2009, que reestruturou o órgão e extinguiu administrações regionais. "Na região há 5.000 índios em sete aldeias demarcadas e outros dois acampamentos em processo de demarcação", afirmou.

"Se o atendimento já era precário por falta de recursos e de pessoal, imagine como ficarão a demarcação, a segurança, a confecção de documentos e o atendimento das questões sociais sem a regional”, acrescentou Jacinto.

Por meio de sua assessoria, a Funai afirmou que os índios interpretaram de modo equivocado o decreto sobre reestruturação do órgão, já que, segundo a entidade, o texto não prevê o fechamento da unidade em Londrina e que tem como objetivo melhorar o atendimento aos povos indígenas. A Funai lamentou o incidente envolvendo Érica e afirmou que a direção da instituição já iniciou um diálogo com os índios para atender suas reivindicações.

De acordo com a entidade, após o primeiro diálogo das lideranças indígenas com representantes da Funai, os índios se comprometeram a desocupar o edifício em Londrina ainda nesta terça-feira (9).

*Com informações da Agência Estado

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