Polícia de MG reconhece erro em caso de mulher enterrada como indigente; "maníaco do volante" pode ter feito a quarta vítima

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

A cúpula da Polícia Civil de Minas Gerais admitiu nesta quinta-feira (11) que houve erro no reconhecimento do corpo da universitária Natália Cristina de Almeida Paiva, 27 anos, enterrada como indigente em um cemitério de Ribeirão das Neves, em dezembro do ano passado. A morte está sendo investigada sob a hipótese de ter sido cometido pelo “maníaco do volante”, que estuprou e assassinou três mulheres na região metropolitana de Belo Horizonte, em 2009.

Natália Paiva havia desaparecido no dia 7 de outubro do ano passado, quando ia de carro para a faculdade, na cidade de Betim. Encontrado em uma mata no município, o corpo deu entrada no IML (Instituto Médico Legal) de Belo Horizonte em 29 de outubro e devolvido à delegacia de Ribeirão das Neves, no final de dezembro, sem que houvesse o reconhecimento. Após exumação do corpo, a identificação só foi possível por meio da análise da arcada dentária.

O chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Marco Antônio Monteiro, veio a público e leu comunicado à imprensa nesta tarde no qual revelou ter determinado a apuração de responsabilidades no caso da estudante.

“Lamentamos o atraso no reconhecimento da ossada de Natália Cristina. Constatamos que ocorreram falhas de comunicação entre o IML, a Divisão de Referência a Pessoa Desaparecida, a Delegacia de Homicídios de Ribeirão das Neves e os familiares”, leu o delegado.

Em entrevista à imprensa, a família da estudante se mostrou indignada com a forma com que o caso foi tratado. A mãe revelou ter tido contatos diários com a polícia enquanto a filha permanecia desaparecida. No entanto, segundo ela, obtinha sempre a resposta de que não havia novidade na investigação sobre o caso.

O chefe da Polícia Civil afirmou que as investigações sobre o paradeiro do “maníaco do volante” estão sendo tratadas como prioritária no órgão.

“Reafirmamos a prioridade de investigação em relação aos casos comprovadamente vinculados. Reafirmamos também o compromisso de divulgação de fatos novos, na medida em que as investigações progridam”, citou Monteiro.

No comunicado, ele criticou a imprensa pela “publicação de notícias inexatas e desprovidas de caráter oficial. Isso prejudica as investigações, aflige os familiares e gera uma sensação desproporcional de insegurança na população”.

O chefe da Polícia Civil revelou ter determinado ainda que os procedimentos de controle em relação a ossadas humanas e ingresso de corpos não-identificados no IML e em hospitais sejam aprimorados. Ele também disse ter ordenado a revisão de casos de sepultamento de ossadas nos últimos anos, no entanto, sem citar o período exato que será averiguado. Ao término da leitura, a assessoria do órgão comunicou que ele não responderia a perguntas.

Maníaco do volante
A denominação do assassino advém do fato de ele ter atacado as mulheres quando elas estavam em seus veículos. No dia 2 deste mês, a Polícia Civil revelou que o sêmen de um mesmo homem foi encontrado nos corpos de três mulheres assassinadas ano passado.

Em um dos casos, ocorrido em abril de 2009, o filho de uma das mulheres mortas, um menino de apenas um ano e três meses, foi encontrado dormindo em cima do corpo da mãe, a empresária Ana Carolina Assunção, 27 anos. Os dois estavam dentro do carro da vítima e, de acordo com informação da polícia à época, ele não sofreu agressão.

Os restos mortais da universitária foram enterrados na tarde de hoje, em cemitério de Contagem (região metropolitana de Belo Horizonte). A família conseguiu novo atestado de óbito e fez o sepultamento, não sem antes enfrentar a burocracia que atrasou em mais de um dia o sepultamento.

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