Queda de barreira na Régis ameaça "soterrar" Carnaval de viajantes

Arthur Guimarães
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Fabiano Cerchiari/UOL

    Prevendo o sofrimento de enfrentar quase 15 horas para chegar em Curitiba, o engenheiro mecânico Henrique Souza reforçou a bagagem com livros: nas mãos, segura uma obra de Agatha Christie

Um barranco despencou sobre os sonhos de quem planejava passar um Carnaval tranquilo nas cidades e praias do Sul do Brasil. Com o deslizamento de terra e a consequente interrupção parcial da rodovia Régis Bittencourt (BR-116) desde terça-feira (9), os foliões que pretendem passar o feriado curtindo as belezas paranaenses, catarineses ou gaúchas precisarão de paciência antes de começar a festança.

Segundo as estimativas das empresas de ônibus que operam no Terminal Rodoviário do Tietê, as viagens para quem pretende sair de São Paulo e descer pelo país estavam tendo um acréscimo de cerca de oito horas, pelo menos até a noite de quinta-feira (11).

Ou seja, até Curitiba estão sendo registrados tempos de quase 15 horas, contra as tradicionais seis. Até Florianópolis, o interessado está enfrentando quase 20 horas, quando o normal seriam 11. Para Porto Alegre, então, o trecho partindo da capital paulista não é vencido em menos de 24 horas.

Nos guichês e plataformas do terminal, uma mistura de desinformação e prevenção dominava as conversas. Tinham os que nem sabiam o que estava se passando. “Que bloqueio? Como assim? Não, não me contaram nada”, dizia Pedrina Lucena, 38, que trabalha com pintura e tinha acabado de comprar o bilhete da Viação Catarinense para encontrar as amigas no norte de Santa Catarina.

Segundo ela, a empresa não estava informando os clientes sobre o deslizamento. “Não me informaram nada”, reclamava. Ao ouvir do repórter o acréscimo de tempo previsto para sua viagem, desanimou. “Sério? Vou ter que ser forte”, complementou, ainda duvidando um pouco da notícia.

Agatha Christie
No geral, no entanto, o que se via era gente já consciente do problema – e com estratégias variadas para enfrentar esse transtorno extra. Henrique César Souza, 25, por exemplo, comprou dois livros para seguir até Curitiba. Engenheiro mecânico da Embraer, ele estava saindo de São José dos Campos para passar o feriado com a família. “Já vim preparado que sei que vai ser cansativo”, afirmava, enquanto segurava "Seguindo a Correnteza", de Agatha Christie.

Breno Costa, 42, por sua vez, vai usar outros métodos para relaxar. Antes de sair, ainda no portão de embarque, virava um copo grande de cerveja, criando coragem para subir no ônibus da Viação Itapemirim que o levaria ao Paraná. “Tô preparado”, disse, enquanto dava um último e grande gole.

Já dentro do veículo, ele mostrou outro macete para conseguir se distrair no trecho: desenhista de luminárias, ele logo tirou os cadernos para arriscar alguns traços. Nas cadeiras vizinhas, os demais passageiros também pareciam preocupados em se entreter. Uns liam jornais, outros revistas – e alguns falavam ao celular, provavelmente já avisando os parentes e amigos da situação.

Na porta do ônibus, o motorista que se preparava para embarcar tinha retornado de Curitiba no dia anterior. “Peguei umas quatro horas a mais. É horrível. Para e anda. Para e anda”, explicou. Sobre a preparação para a nova empreitada, ele afirma que bastou descansar. “Vim preparado. Dei uma reforçada no sono para não ter problema”, disse.

As viações que operam para a região Sul, apesar da queda de barreira na BR-116, não registraram uma diminuição da procura por passagens até a noite de quinta-feira (11). Todas operam com ônibus extras por conta do Carnaval e, pelas informações passadas ao UOL Notícias, ainda tinham tíquetes disponíveis. Além disso, a Socicam, administradora do Terminal Tietê, esclareceu que não estão sendo registrados atrasos no embarque, mas somente na chegada ao local de destino.

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