Prefeitura quer proibir o xixi nas ruas de Salvador, mas só depois do Carnaval

Heliana Frazão
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador

Salvador decidiu dar um basta na falta de cerimônia dos soteropolitanos. O antigo hábito de fazer xixi no meio da rua pode ser proibido por meio de um decreto do prefeito João Henrique Carneiro, inspirado por decisão semelhante tomada pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Rio também declara tolerância zero para quem urinar na rua no Carnaval

As autoridades cariocas reiteraram na cerimônia oficial de início do Carnaval mais famoso do Brasil que estão dispostas a reprimir duramente quem urinar na rua.

A medida, no entanto, não chegará a tempo de ser colocada em prática neste Carnaval. Se vingar, o decreto, ainda em fase de formulação, deve seguir para apreciação da Câmara Municipal após a folia, período em que a capital baiana se transforma num grande sanitário a céu aberto.

Em alguns pontos dos circuitos, a freqüência dos mijos é tamanha que chega a formar poças de urina, enquanto foliões mais eufóricos, que só pensam no agito dos trios, saem pulando sobre o mijo, respingando ácido úrico para todos os lados.

A situação não fica pior porque nas madrugadas, após passar o último trio, na madrugada, a Companhia de Limpeza Urbana de Salvador ( Limpurb) põe nas ruas o seu bloco, formado por 2.400 homens. Esse contingente de trabalhadores gasta na limpeza e higienização das vias públicas, durante os festejos carnavalescos, 6.600 metros cúbicos de água, 11mil litros de detergente e 12 mil de aromatizantes. Além disso, na Quarta-feira de Cinzas a prefeitura organiza ainda um "faxinaço" na cidade.

Neste ano, visando diminuir a intensidade de urina nas ruas, a Limpurb diz que aumentou o número de banheiros químicos nos três grandes circuitos da folia - Campo Grande, Barra e Centro Histórico. Serão1.350 mictórios, sendo 900 femininos, 450 masculinos e mais18 adaptados para deficientes físicos, para um público estimado em quase dois milhões de pessoa por dia.

A bancária Glória Santana Garcia, 39 anos, diz que ela e a amigas são adeptas do método, que justifica com “o número insuficiente de sanitários químicos disponibilizados, as filas grandes demais para enfrentar na hora do aperto e o odor insuportável”. “Depois de muita cerveja, vou onde der”, admite, revelando valer-se às vezes de uma "cortina" humana improvisada por amigas. Essa alternativa, diz ela, vale para qualquer festa de rua ou de largo, como a recente festa de Iemanjá, no bairro Rio Vermelho, onde ela repetiu o feito.

Pilastras desgastadas

A falta de educação dos que insistem em mijar na rua obrigou a prefeitura a gastar cerca de R$ 500 mil para recuperar as 14 pilastras do viaduto Luiz Viana, desgastadas pela acidez da urina humana. Foram mais de dois meses de obras para escavar e recobrir a base dos pilares, localizados na Avenida Vasco da Gama, numa área de estacionamentos e muitas oficinas de reparo de veículos. O superintendente de Conservação e Obras Públicas da capital baiana, Luciano Valladares, confirmou que as pilastras sofreram corrosão causada pela grande quantidade de xixi.

A assessoria da prefeitura explica que o projeto vai atender ao clamor de parcela da população que se vê constrangida com a sujeira na cidade, como a professora aposentada Nilda Santos dos Anjos, 58 anos, moradora da Avenida Manoel Dias da Silva, no bairro da Pituba.

Ela se diz indignada quando vê alguém fazendo xixi na rua: “No início da semana eu estava na janela de meu apartamento, à tarde, quando um cidadão parou o carro, desceu e fez xixi na parede do meu prédio, sem se importar com quem passava pelo local, ou se tinha alguém na janela do prédio. Isto não está certo”, reclama

A vizinha dela Heloísa Lima lembra que ao chegar de um supermercado no domingo (07) viu um ônibus coletivo parado em frente ao edifício – onde não há ponto de ônibus –, esperando um passageiro que descera, com a namorada, para fazer xixi junto ao portão da garagem. O casal aparentava ter saído da praia. “Quando reclamei, eles ainda acharam ruim e me xingaram”, contou. “Talvez esteja faltando mesmo ação do poder público com ações educativas e punições”, concluiu.

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