Polícia suspeita de estelionato em bolão premiado da Mega-Sena

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

A Polícia Civil de Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, abriu inquérito nesta segunda-feira (22) para investigar um suposto caso de estelionato por parte da lotérica Esquina da Sorte. O estabelecimento vendeu cotas de um bolão da Mega-Sena que, segundo os apostadores, foi premiado. Mas a Caixa Econômica Federal (CEF), que administra a loteria, não confirmou a aposta.

Segundo o delegado Clóvis Nei da Silva, da 2ª Delegacia de Polícia da cidade, quatro apostadores registraram ocorrência nesta tarde. As pessoas levaram as cópias do jogo como comprovante, em que constam as seis dezenas sorteadas pela CEF no concurso 1.155 no último sábado (19) em Guarujá (SP). O prêmio acumulado era de R$ 53 milhões.

Se a aposta tivesse sido feita, cada um dos 40 cotistas do bolão teria direito a receber R$ 1,325 milhão. A agência da CEF em Novo Hamburgo também recebeu queixas de apostadores reclamando o pagamento do prêmio. A polícia ainda não sabe quantas cotas do bolão foram comercializadas.

Em nota, a Caixa Federal alegou que o comprovante emitido pelo terminal de apostas é o único documento aceito para o pagamento de prêmios. Os apostadores apresentaram cópias xerográficas do bolão em que constam as dezenas 20, 28, 40, 41, 51 e 58. Eles estudam a possibilidade de processar a Caixa em busca de ressarcimento.

“A ocorrência será objeto de apuração e, caso se confirme a existência de irregularidade, será aplicada a penalidade prevista nas normas internas, que podem ir de uma simples advertência até a revogação compulsória da permissão [da lotérica], de acordo com a gravidade do fato”, informou a CEF na nota.

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O delegado disse que o estabelecimento pode ser indiciado por estelionato se o jogo efetivamente não tiver sido feito ou as dezenas jogadas não forem as mesmas vendidas aos apostadores. “Ainda estamos começando a investigar. Mas, segundo relatos de testemunhas, essa pode ser uma prática comum”, disse Silva.

O delegado disse que pelo menos outras oito pessoas devem encaminhar boletim de ocorrência reclamando o prêmio. Segundo ele, em sorteios acumulados da mega sena a lotérica chega a comercializar 50 bolões de 40 cotas cada um. Cada cota é vendida a R$ 11.

O delegado suspeita que o estabelecimento pudesse estar se apropriando do valor das apostas. “Vamos começar a tomar os depoimentos somente nesta terça-feira”, disse.

O proprietário da Esquina da Sorte, José Paulo Abend, não quis se manifestar. Por meio de seu advogado, Marcelo de la Torres, o empresário disse que vai explicar a situação até o final da tarde desta segunda-feira.

O gerente da lotérica, Éverson da Silva, garante que a aposta foi feita. Mas ele sugeriu que os números digitados no terminal são diferentes da cópia do bolão que foi vendido aos apostadores. Ele atribuiu o erro a uma eventual “falha humana” ou a uma falha na impressão do terminal.

“Essa é uma atividade de grande responsabilidade”, disse o gerente, que trabalha há nove anos na Esquina da Sorte. Segundo ele, todos os bilhetes comprados na agência são guardados no cofre da empresa para que depois possam ser conferidos. O gerente garantiu que não há possibilidade de fraude ou má-fé por parte da lotérica.

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