Greve de ônibus na Grande BH afeta 1,5 milhão; procura por táxi e micro-ônibus cresce 30%

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A greve dos motoristas de ônibus de Belo Horizonte (MG) e da região metropolitana entrou no segundo dia nesta terça-feira (23) e, segundo cálculos da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Minas (FettroMinas), já atinge cerca de 1,5 milhão de pessoas. Apenas 20% dos veículos estão rodando. Com isso, a procura por táxis e micro-ônibus aumentou em 30%.

  • Cristiano Couto/Hoje em Dia/AE

    Ônibus é incendiado dentro do túnel Lagoinha, no centro de Belo Horizonte. A Polícia Militar suspeita que o crime tenha relação com a greve dos motoristas

Segundo Maurício dos Reis, diretor-presidente do Sindpautras, sindicato responsável pelos micro-ônibus que fazem os trajetos entre os bairros da capital mineira, todos os 285 veículos disponíveis estão nas ruas para tentar ajudar a população afetada pela paralisação.

“Não aumentamos o número de veículo porque não dá. Estamos na nossa capacidade máxima. O que fizemos foi otimizar o uso das unidades. Estamos operando com carros reservas e quem estava de folga voltou para trabalhar”, explicou.

Compare os preços
das tarifas de ônibus *

Belo Horizonte R$ 2,30
São Paulo R$ 2,70
Rio de Janeiro R$ 2,20
Porto Alegre R$ 2,45
Curitiba R$ 2,20
Salvador R$ 2,30
Recife R$ 1,60
Brasília R$ 2,00
  • * tarifa básica

De acordo com ele, alguns itinerários feitos pelos micro-ônibus coincidem com os feitos pelos ônibus municipais. Esse tipo de veículo só não chega ao centro da cidade, mas aproxima o acesso da população à região.

O sindicato dos taxistas de Minas Gerais, o Sincavir-MG, também calcula que houve um aumento de 30% na procura pelo serviço. Segundo o diretor-presidente da entidade, Dirceu Efigênio Reis, a recomendação é para que as pessoas agendem a corrida, porque a procura está muito grande.

“Sugerimos isso para quem tem compromisso com hora marcada, porque o trânsito está caótico e impede que o taxista faça um número maior de corridas”, afirmou.

O aumento da demanda, no entanto, não deve interferir no preço da viagem. Reis ressaltou que os taxistas não estão autorizados a cobrar nada além do preço marcado no taxímetro.

A greve
A paralisação geral começou nas primeiras horas desta segunda-feira. Na capital mineira, 70% da frota ficou fora de circulação. Já na região metropolitana, 90% dos motoristas cruzaram os braços, o que corresponde a 2.000 ônibus parados.

Além da capital mineira, as cidades de Sabará, Contagem, Brumadinho, Betim, Ibirité, Pedro Leopoldo e Vespasiano foram atingidas. Ao todo, 250 mil passageiros da Grande BH ficaram sem transporte, segundo a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas.

Segundo o sindicato, os rodoviários decidiram pela greve nesse domingo (21) durante assembleia. Eles rejeitaram a proposta das empresas de ônibus, que ofereceram 4,36% de aumento salarial, e continuam reivindicando reajuste de 37%, redução da jornada de trabalho para seis horas diárias, fim da função dupla do motorista e fim da compensação de horas extras.

Em nota, as empresas de transporte coletivo da região metropolitana de Belo Horizonte informaram que apresentaram ao sindicato uma proposta de reajuste que coloca os trabalhadores do setor entre os de maior remuneração, considerando os salários pagos em todas as capitais do país. Para as empresas, "a ausência ao trabalho pode representar demissão por justa causa por descumprimento da Lei de Greve".

Decisão da Justiça
No final da tarde de ontem, a Justiça do Trabalho de Minas Gerais determinou que a greve fosse encerrada imediatamente. A FettroMinas, no entanto, afirmou que não foi comunicada da decisão. “Ficamos sabendo pela imprensa. Mas somos contra e vamos entrar com recurso”, disse Moura.

O sindicalista informou que a Federação vai participar hoje de uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Ontem, uma reunião já tinha sido marcada pelo TRT para que as partes envolvidas chegassem a um acordo, mas o sindicato da categoria não compareceu. Moura disse que não foram chamados para o encontro e no horário marcado estavam em reunião na Superintendência Regional do Trabalho. “Ali sim fomos convocados e ficamos esperando os patrões aparecerem. Mas vamos ao encontro de hoje, apesar de não termos sido convocados. Queremos negociar”, falou.

Questionada, a assessoria de imprensa do Tribunal Regional do Trabalho informou que o sindicato foi intimado oficialmente e que o fato de haver outra reunião marcada no mesmo horário não diz respeito ao TRT.

O Ministério Público pediu na tarde de ontem que os grevistas cumpram uma escala mínima de 50% da frota, sob pena de multa de R$ 30 mil por dia de descumprimento.

“Compete às entidades sindicais envolvidas garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. Neste aspecto, como as entidades sindicais envolvidas não lograram ajustar o cumprimento da norma, o parquet requer a concessão de medida liminar”, diz a petição assinado pelo procurador Eduardo Botelho.

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