Câmara de SP dá primeiro passo para criar conselho da comunidade nordestina

Raquel Maldonado
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Câmara Municipal de vereadores de São Paulo aprovou em primeira votação um projeto de lei que visa a criação do Conselho Municipal de Participação da Comunidade Nordestina. A proposta ainda deve passar por segunda votação em plenário para só então ser sancionada pelo prefeito, Gilberto Kassab.

Segundo a autora do projeto, a vereadora Sandra Tadeu (DEM), o conselho busca a defesa dos direitos dos nordestinos e sua plena inserção na vida social, econômica, política e cultural da cidade.

Além dessa proposta, outros 36 projetos de lei e três frentes parlamentares foram aprovados em apenas um dia, na última segunda-feira (22), em sessão extraordinária dos vereadores de São Paulo.

Segundo Sandra Tadeu, a ideia de propor a criação da entidade foi resultado da grande demanda de algumas organizações ligadas à comunidade nordestina pelo incremento da conservação da cultura, tradições folclóricas e recreação popular da região. “Atualmente, 40% da população que vive na capital paulista é nordestina ou descendente de nordestinos. Por isso a necessidade de criar um órgão que possa servir como elo entre o poder público e esses cidadãos que representam quase a metade da população de São Paulo”, afirmou Paulo Manso, porta-voz do gabinete da vereadora.

Dentre as atribuições do conselho, estará o desenvolvimento de estudos, pesquisas e debates relativos aos problemas específicos da comunidade nordestina, em colaboração com instituições universitárias e outras entidades da sociedade civil. Também fará parte das responsabilidades da nova entidade receber e encaminhar ao poder público sugestões e denúncias da sociedade.

Quando aprovado, o conselho será composto por 11 conselheiros e cinco suplentes indicados pela sociedade e posteriormente aprovados pelo prefeito.

Conselho estadual
Em março de 2006 foi criado o Copane (Conselho de Participação e Desenvolvimento dos Nordestinos do Estado de São Paulo), com o objetivo de propor ações que visassem o fim da discriminação de origem e o auxílio na elaboração e execução de políticas de valorização aos costumes e tradições do povo nordestino.

Francis Bezerra, uma das fundadoras e primeira presidente da entidade, afirma que ainda há muito que fazer para melhorar a vida do nordestino que vive em São Paulo. “Trabalho na luta pelos direitos dos nordestinos há muitos anos e me orgulho em ver que a minha batalha segue dando frutos”, comenta Bezerra.

Ela, que também fundou a Anesp (Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo) há 25 anos, acredita que o projeto municipal será aprovado em definitivo por duas razões. “Primeiramente a razão para a criação de um órgão que dê maior espaço ao nordestino é inquestionável pela importância que ele tem e teve na construção dessa cidade. Mas também acredito que o projeto será sancionado, pois na Câmara existem muitos vereadores nordestinos, descendentes ou casados com pessoas que vieram de lá”, disse a maranhense da cidade de Bacabal.

Segundo Bezerra, atualmente os municípios de Itaquaquecetuba, Guarulhos e Guarujá já possuem um conselho municipal para assessorar a comunidade nordestina.

A Anesp atua principalmente para acabar com a discriminação e aumentar a auto-estima do nordestino. A associação busca alcançar estes dois objetivos por meio de palestras, feiras e exposições que valorizem os hábitos, costumes e tradições da cultura nordestina. Além da conscientização, a associação oferece também reforço escolar, cursos profissionalizantes, de alfabetização de adultos e aulas de informática.

Bezerra lembra que também existem iniciativas para orientar os que decidem voltar a sua cidade de origem. “Muitos já perceberam que São Paulo não é a galinha dos ovos de ouro. Estamos notando que o número de pessoas que querem regressar vem aumentando muito nos últimos anos, por isso achamos que também é nossa responsabilidade orientá-los. Além de palestras, procuramos fazer contatos com os governos dessas cidades para tentar facilitar a volta”, afirma.

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