RS registra primeiro caso de dengue hemorrágica em 3 anos; Estado tenta impedir epidemia

Flávio Ilha
Especial para o UOL Notícias
Em Porto Alegre

O Hospital de Caridade da cidade de Ijuí (400 km de Porto Alegre) registrou nesta quinta-feira (25) o primeiro caso de dengue hemorrágica no Rio Grande do Sul em três anos. Uma mulher de 61 anos está internada desde o último dia 20 com os sintomas da versão mais aguda da doença, que pode levar à morte. 

Segundo boletim do hospital, o estado de saúde da paciente é estável. O diagnóstico foi feito através de exame clínico. O Laboratório Central do Estado (Lacen) recebeu amostras de sangue da paciente para confirmar a doença.

A cidade registra o primeiro surto da doença em três anos no Rio Grande do Sul. Segundo a secretaria da Saúde do Estado, sete casos da doença foram confirmados. Há ainda outras 184 pessoas com suspeita da doença.

O hospital reforçou a equipe de atendimento do pronto-atendimento em função do aumento na procura por tratamento à dengue e separou 50 leitos para os pacientes da doença.

Segundo o diretor-técnico, Airton Buss Júnior, uma média de 150 pessoas buscam atendimento a cada dia com os principais sintomas da doença, como febre alta, dor de cabeça e cansaço. Há cinco pessoas internadas. “Estamos preparados para um aumento dos casos”, disse.

Mesmo que o Rio Grande do Sul não integre a lista de Estados com epidemia, segundo o Ministério da Saúde, o governo gaúcho trata o surto como grave. Balanço da secretaria apontou que em 53 cidades, incluindo Porto Alegre e região metropolitana, foram registrados focos do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença.

O secretário da Saúde, Osmar Terra, reuniu representantes dos municípios ameaçados por uma epidemia para dar orientações sobre o combate à doença. A maioria dos municípios está localizada nas regiões norte e noroeste, na fronteira com a Argentina.

Terra recomendou que as prefeituras organizem forças-tarefas para combater os focos do mosquito transmissor da doença. “Se for necessário, que ingressem com liminares na Justiça para entrar em casas fechadas ou em terrenos abandonados em busca de focos do mosquito”, disse.

O secretário anunciou também que o governo do Estado irá premiar com recursos financeiros os municípios que conseguirem zerar os focos do mosquito. Cerca de mil soldados do Exército fazem parte da força-tarefa de combate ao Aedes aegypti na cidade de Ijuí, que apresentou focos do inseto em 37 bairros.

A força é três vezes maior que a mobilizada em 2007, quando houve o último surto da doença no Estado. Na época, foram confirmados mais de 600 casos. Nenhuma pessoa morreu.

O governo também anunciou que vai financiar abertura dos postos de saúde de Ijuí até às 22h, como forma de aumentar o combate à contaminação. Cada unidade receberá R$ 6 mil de auxílio. O pacote de ajuda também inclui um aumento de 20% nas verbas para exames clínicos e laboratoriais e para internações.

A precaução se justifica: técnicos da secretaria da Saúde acreditam que o tipo de vírus do surto deste ano é diferente do que atingiu o Estado há três anos. Isso quer dizer que quem se infectou em 2007 pode sofrer uma versão mais aguda da doença agora, com a possibilidade de incidência da dengue hemorrágica.

Outra preocupação do governo é com a expansão da doença para a região metropolitana de Porto Alegre, que já registrou focos do mosquito transmissor da dengue. Em sete bairros da capital, a presença do Aedes aegypti é considerada alta.

As cidades de Viamão, Alvorada e São Leopoldo também já registram focos do mosquito. O secretário de Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos, disse que vai intensificar a campanha de esclarecimento sobre os riscos da doença junto à população.

“Cada pessoa tem o dever de assumir seu papel no combate à doença”, disse. A campanha vai incluir a distribuição de panfletos em locais onde haja circulação de pessoas vindas do interior.

A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa, mas se um mosquito picar um indivíduo doente, o inseto passa automaticamente a ser um transmissor da dengue. Na quarta-feira (24), a prefeitura de Porto Alegre emitiu um alerta epidemiológico em que classifica a situação como de “grande risco”.

 

 

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