Secretaria de Saúde bota "panos quentes" em declaração de secretário sobre operação na Cracolândia

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, em nota encaminhada para a imprensa nesta sexta-feira (26), coloca "panos quentes" nas manifestações do titular da pasta, Januário Montone, que ontem classificou a operação policial na região da Cracolândia como "pirotécnica".

As declarações de quinta-feira (25) causaram constrangimento no governo, já que o responsável pela Polícia Civil, instituição que organizou a blitz, é o governador José Serra (PSDB), aliado do prefeito Gilberto Kassab e responsável por escalar Montone para a prefeitura, quando ocupava o cargo.

Segundo a nota divulgada hoje, "a operação policial realizada na Nova Luz, centro de São Paulo, destoou do entrosamento que tem havido entre a Prefeitura e o Governo de São Paulo no tratamento desse sensível problema de saúde e, ao mesmo tempo, de segurança pública: o tráfico e o consumo de drogas, em especial o crack, na cidade de São Paulo".

Em um tom bem menos agressivo, o órgão alegou que "na operação de ontem a polícia desenvolveu importante ação de repressão ao tráfico de drogas: foram presos 33 traficantes". Segundo a secretaria, "a descoordenação entre os agentes da operação, entretanto, inviabilizou o atendimento adequado aos usuários de droga". 

A nota diz ainda que, "em reunião realizada hoje (26), a comissão coordenadora da Ação Integrada Centro Legal, formada por representantes do Governo do Estado e da Prefeitura, discutiu os fatos ocorridos na última quinta-feira para evitar que ocorram outras ações isoladas dentro da Ação Integrada Centro Legal". O texto é assinado também pela Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Histórico
Tudo começou com uma ação policial para prender traficantes identificados previamente em trabalhos de infiltração e inteligência. Após deter os vendedores de drogas, os homens do Grupo de Operações Policiais (GOE) levaram os usuários que não estavam com entorpecentes no momento da abordagem para serem atendidos por agentes de saúde.

Os agentes, no entanto, não estavam no local que sempre costumam ficar. Com essa ausência, os policiais foram embora e, no final das contas, todos os usuários "fugiram" e voltaram a usar drogas minutos depois.

Quando ficou sabendo da história, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Januario Montone, classificou a ação como "pirotécnica". Ele disse que a blitz foi  "de total e inteira responsabilidade das autoridades policiais, sem qualquer planejamento conjunto ou conhecimento e preparação da área de saúde".

Montone repudiou "o espetáculo pirotécnico de confinamento e posterior 'libertação' dos usuários detidos", o que, segundo ele, "só aumenta a discriminação contra a população mais vulnerável e dependente, de moradores em condição de rua, usuários e dependentes de álcool e drogas".

Como ele argumentou, "ações como essa só dificultam o já dificílimo trabalho diário dos mais de 400 profissionais de saúde, que se dedicam exclusivamente a esse projeto nos 10 distritos da área central".

Em resposta, o delegado Aldo Galeano, que comandou a operação, afirmou que não poderia ter havido planejamento prévio com a secretaria já que a operação era sigilosa. "Se a demanda é grande tem que chamar mais gente, como eu fiz para atender essa ocorrência", disse. Galeano afirmou que não aceitou que fossem dados "palpites no meu trabalho". "Se prender traficante dificulta o trabalho da saúde, não posso cometer o crime de prevaricar, ver o crime e não tomar providência", finalizou.

Segundo ele, a operação foi "coroada de êxito". "Fizemos uma operação para prender traficantes, não era voltada para usuários e pessoas de rua", disse Galeano, por telefone. Segundo o delegado, 76 traficantes foram detidos e levados à delegacia; 33 foram autuados em flagrante. Além disso foram apreendidas 500 pedras de crack, uma arma e vários cachimbos.

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