Quatro apostadores de bolão da Mega-Sena buscam prêmio na Justiça

Flávio Ilha

Especial para o UOL Notícias
Em Novo Hamburgo (RS)

Quatro apostadores ingressaram neste sábado (27) com uma ação reclamando o prêmio do bolão da Mega-Sena que não foi computado em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre. Foram R$ 53 milhões sorteados no dia 20 de fevereiro, mas uma funcionária da lotérica não registrou a aposta. A ação está TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região.

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Na ação, o advogado do grupo, Júlio Coitinho, reclama o pagamento das cotas do bolão que teve as seis dezenas sorteadas pela Mega-Sena, mas que não foi registrado no sistema pela lotérica Esquina da Sorte. O dono da lotérica, José Paulo Abend, atribuiu a falha a um erro da funcionária Diane Samar da Silva, que confirmou a versão à polícia.

O valor reclamado para cada apostador é de R$ 1,53 milhão. “Isso na pior das hipóteses, considerando que as 40 cotas do bolão tenham sido vendidas”, disse o advogado dos apostadores. Segundo ele, é preciso esclarecer quantas apostas foram de fato vendidas para estabelecer o valor correto a ser pago.

Durante a semana, o dono da lotérica, José Paulo Abend, informou que foram vendidas 35 cotas do bolão sorteado. Mas, até agora, foram registradas apenas 27 ocorrências na Polícia de Novo Hamburgo. Três funcionárias e o gerente da agência também passaram a reclamar o pagamento do prêmio.

A informação de quantas cotas foram vendidas está na lista feita pela lotérica durante a comercialização do bolão, onde constam o nome e o telefone de cada apostador. O delegado Clóvis Nei da Silva, que investiga o caso, já requisitou a lista para o proprietário da lotérica. A relação ainda não foi entregue.

A justificativa do advogado para o pedido de pagamento é que a CEF (Caixa Econômica Federal) tem responsabilidade sobre as ações das lotéricas sob sua concessão. Assim, segundo o advogado, não vale a justificativa de que o erro foi da lotérica.

“Como gestora do sistema, uma das atribuições da Caixa é vigiar e fiscalizar a realização das apostas. Mas a Caixa não vigiou nem fiscalizou. Então, a responsabilidade é dela”, argumentou Coitinho.

Segundo ele, as explicações dadas pela direção da CEF depois de verificar que a aposta não tinha sido feita em nada auxiliam a instituição. “Pelo contrário, são uma prova de que houve negligência em relação ao gerenciamento e controle do sistema de loterias”, disse o advogado.

Na próxima quarta-feira (3), outros 21 apostadores devem ingressar com uma ação semelhante reclamando o pagamento do prêmio. O advogado do grupo, Marcelo Luciano Peixoto, também vai pedir indenização aos apostadores por danos morais.

“Nossos clientes foram alvo de piada e de chacota em todo o país. Foram chamados de burros e de trouxas. Muitos deles estão há dias sem dormir. Esse prejuízo precisa ser compensado”, afirmou Peixoto.

O delegado que investiga o caso também admitiu neste sábado que pode pedir uma perícia do vídeo apresentado pelo proprietário da lotérica como prova de que a falta de registro da aposta se deveu a um esquecimento da funcionária.

O vídeo, gravado por câmeras de segurança da agência, mostram Diane procurando volantes de apostas e se desesperando ao constatar que o jogo premiado não havia sido registrado.

“Vou olhar novamente as imagens. Se eu achar de fato necessário, vou pedir uma perícia”, disse Silva.

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