Hospital de Santos registra epidemia de dengue, aponta pesquisa

Raquel Maldonado
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A unidade do hospital Ana Costa em Santos, no litoral de São Paulo, vive uma epidemia de dengue. Isso é o que mostra uma pesquisa sobre a doença divulgada nesta quarta-feira (3) por uma equipe do hospital. Somente entre os dias 11 de janeiro e 1º de março foram confirmados 173 casos de dengue no local.

O estudo, realizado em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), também indica que houve um aumento de 2.480 atendimentos clínicos de emergência no local em fevereiro de 2010, em comparação com o ano anterior. Quando são contabilizados os dados de outras cinco unidades do complexo hospitalar, todas localizadas em cidades da Baixada Santista, o número total de atendimentos de emergência em fevereiro ficou em 58 mil, um acréscimo de 40% em relação a 2009.

O médico infectologista e diretor técnico da Divisão de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do HC-FMUSP, Evaldo Stanislau Affonso de Araújo, explica que é possível dizer que a diferença observada no número de atendimentos refere-se aos pacientes que buscaram o hospital com suspeita de dengue. “Esta pesquisa tem como base o hospital Ana Costa, porém estou certo que estes números refletem o que ocorre atualmente na região”, disse.

Também foi relatado um incremento da solicitação de exames de emergência no laboratório central. Enquanto a média diária de hemogramas em fevereiro de 2009 foi de 200, este ano foi registrado um incremento de cerca de 550 hemogramas por dia. Do total, 85% apresentaram alterações compatíveis com a doença –aproximadamente 640 casos. Somente nos dias 1º e 2 de março o hospital registrou uma média 1.000 solicitações por dia.

Araújo justifica a diferença entre os exames compatíveis (640) e os casos confirmados até o momento (173) afirmando que a dinâmica de atendimento não possibilita a notificação em tempo real. “Infelizmente pela quantidade de pacientes, os prontos socorros não conseguem notificar todo mundo. Acredito que 173 casos de dengue confirmados em menos de um mês e meio é bastante relevante, porém não é compatível com a realidade”, ressaltou.

De acordo com o médico infectologista, a dificuldade na notificação dos casos de dengue impede o combate à doença, uma vez que a secretaria de Saúde de cada município estabelece as políticas públicas de combate aos focos do mosquito com base nos casos confirmados.

Segundo o Ministério da Saúde, uma cidade pode declarar epidemia de dengue quando os casos registrados ultrapassam 300 por 100 mil habitantes. O governo informa que a comparação de casos de um ano para o outro e a distribuição geográfica também são avaliados.

Outro fato importante denunciado pelo estudo é o alto índice de casos de dengue hemorrágica em Santos. Entre as 87 internações registradas, 34 pacientes (22 acima de 12 anos e 12 com idade inferior) tiveram o diagnóstico de febre hemorrágica. Isso indica que 39% dos pacientes que estiveram internados no hospital Ana Costa até o dia 1º de março estava com a forma hemorrágica da doença.

Dos 173 casos confirmados, sete pacientes morreram; quatro deles apresentavam dengue hemorrágica. O hospital informou que em dois casos, os pacientes morreram em decorrência de outras doenças, e uma morte ainda está em fase de análise.

Causa
A pesquisa indica que o surto de dengue na região deve-se ao ressurgimento do sorotipo 1, que predominava no Estado de São Paulo há mais de uma década, e a concomitante circulação do sorotipo 3. A atual condição climatológica na região (tempo quente e chuvas acima da média) também é apontada como uma das justificativas para o aumento no número de casos.

Os dados foram divulgados pelo diretor do hospital, José Luiz Boechat Paione, pelo infectologista e diretor técnico da divisão de moléstias infecciosas e parasitárias da FMUPS, Evaldo Stanislau Affonso de Araújo, pelo responsável pelo serviço de pediatria do Hospital, Paulo Sérgio Ciola e pela responsável pelo laboratório de análises clínicas do hospital, Olímpia M. Nakasone P.F. Oliveira.

Na opinião de Araújo, atualmente o poder público deve intensificar suas ações no campo assistencial. “O importante agora com tantos casos é ter uma equipe de médicos bem preparadas para atender aos pacientes que suspeitam estar com a doença, além de hospitais em condições para atender e medicar estes pacientes”, enfatizou o médico. Ele ainda afirma que as atividades de prevenção são igualmente importantes.

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