No centenário do Dia Internacional da Mulher, cerca de 1.500 militantes fazem ato em SP

Guilherme Balza
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Aproximadamente 1.500 mulheres integrantes de movimentos sociais, partidos políticos e sindicatos realizam ato pelas ruas do centro de São Paulo para celebrar o Dia Internacional da Mulher --que neste ano completa 100 anos-- e protestar contra a desigualdade de gênero presente na sociedade.

A manifestação realizada nesta segunda-feira (8) na capital paulista teve início por volta de 10h na praça do Patriarca, batizada pelas mulheres de “praça da Matriarca”. Vestidas de roxo e vermelho e acompanhadas por carros de som, as militantes marcharam até a praça da Sé, no centro, distribuindo panfletos e entoando palavras de ordem, segundo afirmou Thaís Lapa, integrante da organização do ato.

O Dia da Mulher foi proposto em 1910 pela alemã Clara Zetkin, na 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, e passou a ser celebrado em diversos países, embora de forma não oficial. Em 8 de março de 1917, uma mobilização de operárias russas --prenúncio para a Revolução de outubro, no mesmo país-- reforçou a importância da data para a luta das mulheres. Contudo, a fixação internacional do Dia da Mulher se deu a partir de 1922, após exigência da militante bolchevique Alexandra Kolontai a Vladimir Lênin.

Neste ano, as reivindicações das entidades que integram a manifestação se concentram em torno de quatro eixos principais: o combate à violência sexual, doméstica e militar; a legalização do aborto; valorização do trabalho feminino e fim da divisão sexual do trabalho; e maior participação política.

De acordo com nota assinada pelas entidades que compõem a manifestação, as mulheres reconhecem os avanços conquistados após a criação da Lei Maria da Penha, mas alegam que a legislação não é aplicada integralmente na prática. Além da aplicação efetiva da lei, as entidades reivindicam a criação de abrigos públicos para vítimas de agressões e seus filhos.

Para Thaís Lapa, a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que concedeu só à mulher agredida o direito de acusação ao agressor, impedindo que o Ministério Público faça a denúncia, também é alvo de crítica das organizações presentes no ato. “A Lei Maria da Penha não é implantada plenamente. Além disso, a decisão do STJ ‘amortizou’ a força da lei”, afirma a militante.

As mulheres defendem também que o direito ao aborto para mulheres vítimas de abuso sexual seja garantido na prática, por meio da melhoria nas condições das clínicas e hospitais e de acompanhamento médico e psicossocial. As entidades ainda exigem que o direito ao aborto seja estendido a toda mulher que desejar interromper a gravidez.

Com relação à valorização do trabalho, as mulheres reivindicam igualdade salarial e de condições. Na nota, as entidades alegam que a mulher recebe, em média, 71% do salário do homem, mesmo com maior escolaridade. As mulheres negras, diz o texto, enfrentam situação mais desigual, recebendo, em média, salários 51% menores do que os das mulheres brancas.

Por fim, as mulheres exigem maior presença feminina em instâncias políticas, tais como o Congresso Nacional, cargos executivos, partidos políticos e sindicatos. “As mulheres estão sempre na luta, mas nunca são dirigentes de partidos, sindicatos e movimentos sociais”, diz Lapa.

Marcha entre Campinas e São Paulo
Também como parte integrante do Dia e da Semana da Mulher, a Marcha Mundial das Mulheres --organização que integra várias entidades-- fará uma marcha de Campinas à São Paulo entre os dias 8 e 18 de março. De acordo com a organização do evento, aproximadamente 3.000 mulheres marcharão entre as cidades.

Hoje, haverá a concentração para a passeata e um ato no centro de Campinas. A partir de amanhã, as mulheres pegam a estrada rumo à capital paulista, realizando paradas em Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea, Cajamar, Jordanésia, Perus e Osasco, onde serão realizados cursos, debates e manifestações.

Via Campesina organiza ações
Integrante da marcha, a Via Campesina também participará --com cerca de 5.000 militantes, no total-- de mobilizações em 11 Estados,: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Ceará, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Além das reivindicações de gênero, as mulheres da Via Campesina irão protestar contra a concentração fundiária e a desigualdade no campo.

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