Veja a história de três mulheres que exercem profissões consideradas tipicamente masculinas

Daniela Paixão

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Oito de março é a data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher. Foi nesse dia, em 1857, que operárias de uma fábrica de tecidos, nos Estados Unidos, fizeram uma grande greve para reivindicar melhores condições de trabalho e tratamento digno.

A manifestação foi reprimida de maneira violenta. A fábrica foi trancada e incendiada. 130 mulheres morreram carbonizadas. 

 

De lá pra cá. Muita coisa mudou. Várias ações e movimentos surgiram em diversos países para promover a igualdade entre homens e mulheres.

Mas será que o machismo e a discriminação contra o sexo feminino estão longe de acabar?

Segundo o IBGE, no Brasil a média de escolaridade das mulheres é maior que a dos homens. Mas são os homens que ainda ganham mais.

Uma mulher que ocupa o mesmo cargo que um homem chega a ter rendimento 22% menor que o colega do sexo masculino.

É possível elencar muitos outros indicadores sociais que deixam clara a desigualdade entre os sexos.

As mulheres ainda batem de frente com muitas dificuldades. Algumas escancaradas. Outras de forma velada.

Que o digam as que conseguiram romper a barreira do preconceito e que exercem profissões consideradas tipicamente masculinas.

A engenheira de produção, especializada em mecânica, Simone Vieira, 39 anos, nem precisou sair de casa para dar de cara com o preconceito.

  • Mestre cervejeira: ela entende tudo de cerveja

  • Uma engenheira especializada em mecânica

  • A primeira brasileira na Fórmula Indy

Ela conta que quando terminou o primeiro grau e mostrou interesse em fazer um curso profissionalizante o pai dela se recusou a pagar: “Meu pai disse que eu não precisava mais estudar porque eu ia me casar, ter filhos e então isso não seria importante”, lembra.

E foi só o começo, quando ingressou na faculdade de engenharia, na Universidade de São Paulo, em 1989, encontrou uma sala de aula com 54 homens e apenas seis mulheres.

Nas entrevistas de emprego as portas estavam fechadas mesmo antes de fazer os testes. Simone Vieira lembra-se que uma psicóloga, antes de aplicar a prova, abriu o jogo e disse a ela e às outras cinco colegas que queriam participar da seleção que a empresa não iria contratar mulheres.

“A psicóloga foi sincera e falou que tinha ordens expressas de não selecionar ninguém do sexo feminino. Então nós levantamos e fomos embora.”

Mesmo depois de empregada, a humilhação continuou. Uma grande montadora liberou um bônus para todos os funcionários do departamento. Homens. Ela não recebeu.

“Eu fui à sala do meu supervisor e perguntei porque eu não havia sido contemplada com o bônus. Onde eu estava errando, qual era o problema. Ele não soube responder. Disse que não havia o que falar do meu trabalho. Logo... eu concluí que a única razão de eu não ter recebido o dinheiro era pelo fato de eu ser mulher”.

A primeira brasileira a ser piloto de Fórmula Indy, Bia Figueiredo, 24 anos, também passou o sinal vermelho e entrou no tão masculino mundo das corridas de carro.

E não esquece uma das frases que mais ouvia depois de ganhar uma competição: “Os pais falavam para os filhos: filho, como você pôde perder de uma menina. Ela é uma menina!”

Bia Figueiredo coleciona mais de 200 troféus e pelo menos 40 vitórias. Não há duvidas: ela é fera nas pistas. Veloz, precisa, decidida. Mesmo assim, quando enfrenta o trânsito, vez ou outra ainda ouve aquela velha e machista frase:

“Muitos homens falam quando acontece qualquer coisinha no trânsito... Só podia ser mulher!”

Nada é mais “clube do bolinha” do que o universo das cervejas. É difícil encontrar um homem que não gosta de tomar uma cervejinha com os amigos.

Eles garantem que entendem de marca, sabor, temperatura ideal. Pode até ser. Ninguém está falando o contrário.

Mas sabe quem responde há seis anos pela Associação Brasileira de Profissionais em Cerveja? Pois é... é uma mulher.

Cilene Saorin tem 38 anos de idade, graduada em engenharia de alimentos, tem especialização em tecnologia cervejeira e também é sommelier de cervejas.

É Cilene Saorin quem decide se uma cerveja é de fato boa pra ser vendida ou não. “O mestre cervejeiro tem capacidade para escrever a receita de acordo com o que a marca deseja. Também acompanha todo o processo de produção e, depois do envasamento, testa o produto para saber se está de acordo com todas as especificações”, explica Saorin.

Mas foram muitas as pedras no caminho para chegar até onde chegou. Cansou de ouvir “fábrica de cerveja não é lugar para mulher”.

Segundo Cilene Saorin, as fábricas de cerveja fazem questão de pagar cursos profissionalizantes para os profissionais. Com ela foi diferente. O fato de usar saias impediu que ela recebesse qualquer tipo de ajuda financeira.

Precisou economizar dois anos para pagar os custos do mestrado em tecnologia cervejeira. Nenhuma fábrica mostrou interesse em investir em sua capacitação profissional.

“Muitas vezes eu cheguei a pensar que estava dando murros em ponta de faca. Mas foi o desafio constante que me motivou a provar que podia e que eu ia conseguir”.

E esse desafio constante parece ser mesmo a mola que impulsiona grande parte das mulheres a provar que sim, são capazes de exercer qualquer profissão.

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