Suspeito ameaçou enteada de Glauco antes de assassiná-lo, diz primo

Arthur Guimarães
Guilherme Balza

Do UOL Notícias
Em Osasco (SP)

Orlando Cardoso de Oliveira, 61, primo do cartunista Glauco Villas Boas, 53, por parte de pai, relatou ao UOL Notícias o que teria acontecido nesta madrugada, quando ele e o filho, Raoni, 25, foram assassinados. Segundo o primo, as informações foram prestadas pela família do cartunista, presente no momento do ocorrido.

O delegado Arquimedes Cassão Veras Júnior, da Delegacia Seccional de Osasco, afirmou nesta tarde que o suspeito da morte do cartunista era conhecido da comunidade onde o crime ocorreu e estaria "provavelmente fora de si durante o crime". Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, tem passagem pela polícia por porte de drogas e não tinha porte de arma, segundo a polícia.

O primo de Glauco afirma que Carlos Eduardo bateu na casa da enteada do cartunista, que é vizinha à casa da família. Com uma arma apontada para sua cabeça, a enteada do cartunista foi obrigada a bater na casa do pai.

Opinião

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Ela chamou pela mãe, que veio atender o portão e deixou os dois entrarem. “Ele estava completamente ensandecido, delirando, babando. Não dá para ter certeza, mas parecia que ele estava muito drogado”, disse Orlando.

Na versão da família, Carlos Eduardo teria tentado convencer Glauco a sair dali e ir conversar com a mãe do rapaz. O jovem pediu que Glauco dissesse à mãe dele que era Jesus Cristo.

Durante diversos momentos, Carlos Eduardo que "parecia desorientado" apontou a arma para todas as pessoas que estavam presentes e, inclusive, para sua própria cabeça. Segundo Orlando, Glauco tentava acalmar o rapaz para evitar que ele se suicidasse.

Quando percebeu que o cartunista não estava disposto a acompanhá-lo, Carlos Eduardo deu uma coronhada no rosto de Glauco. Nesse momento, o filho Raoni chegou em casa. Ao ver o pai sangrando, iniciou uma discussão com Carlos, quando foram feitos os disparos. Em seguida, teria fugido com outra pessoa, não identificada.

Conclusão preliminar da polícia
“Ele chegou, procurou pela família, discutiu com Glauco, sacou a arma e começou a atirar. Nesse momento, o filho do cartunista chegou. Ele continuou atirando e se evadiu”, disse o delegado, que classificou o jovem como "problemático".

Ainda conforme o delegado, no momento do disparo, o filho teria reagido para proteger o pai. “E por isso o desespero do filho para partir para cima para evitar a agressão”, completou.

Segundo Veras, o rapaz era “frequentador do local e conhecido pela família”. O jovem faria parte de um grupo que frequentava a igreja Céu de Maria, da qual Glauco foi fundador e era coordenador. O primo de Glauco também fazia parte do grupo. A igreja receberia até 400 visitantes aos finais de semana, segundo vizinhos, e seguia a doutrina do Santo Daime. Ficava no mesmo terreno da casa de Glauco, na região da Estrada Portugal, no Jardim Três Montanhas, em Osasco (Grande SP).

Com base nos depoimentos colhidos até agora, as investigações apontam que não houve tentativa de assalto e que se trata de um homicídio. A polícia ainda não encontrou o suspeito, mas afirma já ter localizado sua família, que não sabe sobre seu paradeiro.

O delegado disse ainda que o suspeito teria tentado cometer suicídio durante a discussão, e que Glauco teria tentado fazer com que ele mudasse de ideia. Há a suspeita de que o homem estivesse drogado, mas não há confirmação. A mulher e a enteada de Glauco também estariam presentes na hora dos disparos, mas a presença de outros suspeitos ainda não está totalmente esclarecida. 

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