Área de presídio implodido no Rio será usada para construção de 2.500 casas

Douglas Corrêa
Da Agência Brasil

No Rio de Janeiro

Durou apenas 18 segundos a implosão dos oito blocos do Complexo Penitenciário da Frei Caneca, no bairro do Estácio, na área central da cidade. No local serão construídas 2.500 residências do programa Minha casa, Minha Vida, do governo federal, para atender preferencialmente os moradores do Complexo de São Carlos, que fica nos fundos da área derrubada, em áreas de risco e de preservação ambiental.

Segundo o secretário estadual de Habitação, Leonardo Picciani, as obras devem começar no segundo semestre deste ano e serão financiadas pela Caixa Econômica Federal.

A derrubada dos pavilhões começou às 12h17 e foram usados 500 quilos de dinamite. Para que o trabalho não atingisse moradores de áreas próximas, a Defesa Civil municipal fez um trabalho de conscientização, durante três semanas, para que cerca de 10 mil pessoas deixassem suas casas uma hora antes da implosão. Picciani disse que três sismógrafos foram instalados em pontos diferentes no entorno do Complexo Penitenciário e não foi constatado nenhum abalo em áreas próximas.

As famílias removidas terão suas casas derrubadas e a área terá limites ecológicos e reflorestamento para evitar novas ocupações irregulares. O entulho gerado na implosão do terreno de 66.000m2 servirá para fabricação de bases de asfalto e de brita, que poderão ser reutilizadas em outras construções.

O Complexo Penitenciário da Frei Caneca é o mais antigo do país e foi inaugurado em 1850, na época do Império. Pelos presídios da Frei Caneca, como o Milton Dias Moreira, Lemos de Brito, Hélio Gomes e Romeiro Neto passaram presos políticos e traficantes ligados à facção criminosa conhecida como Comando Vermelho.

O policial civil Mariel Mariscot de Mattos, um dos homens de ouro da polícia carioca na época do Esquadrão da Morte, esteve preso no presídio Hélio Gomes, conhecido como presídio policial.

Na Frei Caneca, como era conhecido o complexo penitenciário, também estiveram a psiquiatra Nise da Silveira, Olga Benário, mulher de Luiz Carlos Prestes, e dezenas de presos políticos que se rebelaram contra o golpe militar de 1964.

O segurança pessoal do ex-presidente Getúlio Vargas, Gregório Fortunato, conhecido como o Anjo Negro, foi assassinado durante uma rebelião. O escritor Graciliano Ramos também esteve preso lá, onde escreveu Memórias do Cárcere.

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