Rodoviários de Belo Horizonte decidem entrar em greve a partir de segunda-feira

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias

Em Belo Horizonte

Atualizada às 19h42

Após assembleia realizada na tarde deste domingo (14), rodoviários de Belo Horizonte e região metropolitana decidiram retomar greve a partir da meia-noite de hoje. No último dia 22 de fevereiro, a categoria deflagrou paralisação que trouxe transtornos a aproximadamente 1,5 milhão de passageiros.

De acordo com Denílson Dorneles, coordenador político do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário de Belo Horizonte e Região (STTRBH), a pauta de reivindicação pede melhoria salarial e melhores condições de trabalho. Eles reclamam 37% de aumento nos vencimentos e redução da jornada de trabalho para seis horas diárias, além do fim da função dupla do motorista e término da compensação de horas extras.

Segundo o dirigente, a greve de fevereiro somente foi suspensa para que as negociações avançassem, e ela está sendo retomada porque patrões e empregados não chegaram a um consenso.

Na última paralisação, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Minas Gerais determinou multa diária de R$ 300 mil aos sindicatos que representam os trabalhadores, caso a greve fosse mantida.

“Baixamos a nossa proposta, que era de 37% de reajuste nos salários, para 12%, mas mesmo assim, não houve acordo com os patrões”, revelou Dorneles.

As empresas de transporte coletivo da região metropolitana de Belo Horizonte informaram que já haviam apresentado ao sindicato uma proposta de reajuste (4,36%). Em nota divulgada durante o movimento de fevereiro, as empresas informaram que o percentual colocaria os trabalhadores do setor entre os de maior remuneração, considerando os salários pagos em todas as capitais do país.

Sobre a nova paralisação, a assessoria de imprensa do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) disse que o posicionamento da entidade é aguardar a resolução do impasse via TRT. Em relação aos transtornos que a paralisação possa causar à população, a assessoria informou que serão aceitas, a partir de amanhã em todas as empresas de transporte coletivo, inscrições de trabalhadores que serão chamados para eventual substituição dos funcionários em greve.

Paralisação total ou parcial?
Questionado se a paralisação seria total a partir desta segunda-feira (15), o representante do STTRBH disse que os rumos do movimento serão definidos a partir de avaliação da paralisação pelos líderes da categoria.

“Ainda não sabemos se haverá operação-linguição (ônibus formam filas indianas e trafegam em velocidades muito baixas). Vamos definir isso mais para frente. (No momento) a greve é geral, os ônibus vão ficar nas garagens. Mas nós vamos acatar o que for determinado pela Justiça em relação à escala mínima”, disse Dorneles.

O dirigente adiantou que o movimento grevista deverá atingir as cidades de Sabará, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, e também os municípios de Pedro Leopoldo Vespasiano, Nova Lima e Rio Acima, todos localizados na região metropolitana. O sindicato dos rodoviários de Contagem também aderiu à greve.

As cidades de Betim e Contagem (também localizadas no entorno de Belo Horizonte), que têm sindicatos próprios, avaliam se aderem ao movimento.

Durante a paralisação de fevereiro deste ano, aproximadamente 700 ônibus foram danificados, estimou o sindicato das empresas de transporte. Os prejuízos provocados ao comércio da capital mineira, apenas nos três primeiros dias de greve, giraram em torno de R$ 44 milhões, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte.

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