Prova técnica diverge do depoimento de assassino confesso de Glauco

Daniela Paixão
Do UOL Notícias

Em Osasco (SP)

Suspeito de matar Glauco afirma que juntou dinheiro durante 3 meses para comprar pistola

Durante entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (17) em Osasco, na Grande São Paulo, a unidade de inteligência do Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo) apresentou slides de imagens de satélite que mostram o que Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, principal suspeito da morte de cartunista Glauco Villas Boas e de seu filho Raoni na noite da última sexta-feira (12), fez após o crime.

Com base no rastreamento do celular de Nunes, a prova técnica mostra que, após o crime, ele percorreu uma distância de 12 km em cerca de 11 minutos, disse o diretor do Demacro, Marcos Carneiro Lima. Em depoimento dado ontem ao delegado do caso, Archimedes Veras Júnior, da Delegacia Seccional de Osasco, Nunes diz que fugiu para o "meio do mato", onde permaneceu escondido até 5h de domingo (14).

Polícia fala sobre o caso

Em seu depoimento, Nunes isentou o amigo Felipe de Oliveira Iasi – que o levou ao local do crime na noite de quinta-feira (11). O suspeito disse que foi embora sozinho; já Iasi diz que foi sequestrado e conseguiu fugir antes dos disparos.

O diretor ressaltou que é mínima a chance de uma pessoa realizar a pé um percurso de 12 km em cerca de 11 minutos. Ainda segundo a prova técnica, Nunes se deslocou por várias horas na região urbana de Osasco, tendo voltado duas vezes à região onde ficava a chácara que abriga a casa de Glauco e de sua família. Em uma dessas vezes, ele teria telefonado para a viúva Beatriz Galvão Veniss, 49. Segundo o restreamento do celular, o suspeito ficou na cidade por cerca de 40 horas.

Em seu depoimento, Nunes diz que ficou escondido no mato até 5h de domingo (14). De lá, foi para o bairro do Campo Limpo, na zona sul da capital, de onde iniciaria sua fuga. Na região, Nunes rendeu um motorista e levou seu carro.

O acusado pegou a estrada, atravessou todo o Estado do Paraná e, no domingo à noite, em Foz do Iguaçu (PR), trocou tiros com policiais rodoviários que foram informados que o carro dirigido por Nunes era roubado. A intenção do acusado era atravessar a fronteira com o Paraguai.

A polícia afirmou que vai confrontar a prova técnica com o rastreamento do carro do Felipe Iasi, para saber de fato o que ocorreu após os homicídios. A polícia disse que Iasi continua sendo averiguado, e que não há uma definição quanto à condição do motorista. Sua participação no crime ainda não foi descartada.

Sobre a possibilidade de Nunes ter tido a ajuda de uma terceira pessoa, o diretor do Demacro afirma que a hipótese é muito remota, já que a região do crime é de difícil acesso, e Nunes teria dificuldade em abordar um carro ou render alguém.

O caso
Glauco e Raoni foram mortos a tiros na casa do cartunista, em Osasco (Grande São Paulo), na madrugada de sexta-feira (12). Nunes era conhecido da família por já ter frequentado a igreja Céu de Maria, que segue os princípios do Santo Daime e foi fundada por Glauco.

Segundo o relato das testemunhas, Nunes estava transtornado e delirava. Ele estava armado com uma pistola automática e uma faca. Glauco tentou negociar e chegou a ser agredido.

No meio da discussão, Raoni chegou ao local de carro. Em seguida, Nunes atirou contra pai e filho. Os dois chegaram a ser atendidos no hospital, mas não resistiram e morreram.
 

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