Suspeito de matar Glauco afirma que juntou dinheiro durante 3 meses para comprar pistola, diz delegado

Do UOL Notícias

Em São Paulo

Atualizado às 16h56

Prova técnica diverge do depoimento de assassino confesso de Glauco

Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (17), o delegado Archimedes Veras Júnior, da Delegacia Seccional de Osasco (Grande São Paulo), que investiga o assassinato do cartunista Glauco Villas Boas e de seu filho Raoni na noite da última sexta-feira (12), explicou passo a passo as investigações do caso.

O delegado relembrou como chegou ao principal suspeito Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, o Cadu, e à pessoa que o levou ao local do crime, o estudante Felipe Iasi, 23, que disse ter sido sequestrado pelo assassino confesso.


Sobre o depoimento obtido de Nunes, que está preso pela Polícia Federal em Foz do Iguaçu (PR), o delegado disse que o suspeito conseguiu comprar a arma do crime com dinheiro obtido pela venda de drogas. O acusado afirmou que, durante alguns meses, comprou maconha em bairros da periferia da capital paulista e revendeu em locais como a Vila Madalena, bairro boêmio de classe média alta na zona oeste de São Paulo.

Nunes afirma que, após três meses, conseguiu comprar, na zona leste da capital, uma pistola, com númeração raspada, além de 70 cápsulas. "Tive tempo de arquitetar meu plano", disse, ainda segundo o delegado. No dia 11 de março, o acusado decidiu que seria o dia "para resolver tudo". Ele afirmou que telefonou para o conhecido "de balada", Felipe Iasi, para fumar maconha, pois acreditava que, assim, ele ia fazer o que ele mandasse.

O acusado afirma ainda que ligou para o filho de Glauco, Raoni, para saber que horas ele estaria em casa pois seria a única forma de entrar no local. No carro de Iasi, Nunes encostou a arma na cabeça do amigo e disse que "precisava resolver um impasse". "Se você nao fizer o que eu mandar vou acertar sua cabeça. Você nao vai vacilar porque tem muito a perder", teria dito.

Já na casa do cartunista, Nunes teria rendido e ameçado Beatriz Galvão Veniss, 49, mulher de Glauco, que ouviu o barulho e saiu para o quintal para ver o que estava acontecendo. Segundo o delegado, Nunes agrediu Glauco e disse que queria levar o cartunista até sua mãe para provar que seu irmão era Jesus Cristo.

"Assim como você explica a reencarnação dos outros, dizendo que Alfredo [Gregório] é o rei Salomão, o mestre Irineu [Raimundo Irineu Serra] é Jesus, e os outros dizem que você é São Pedro e o Raoni é Davi, eu quero que você diga que meu irmão é Cristo reencarnado", teria dito o acusado.

Quando o filho de Raoni chegou na casa, Iasi aproveitou a oportunidade e fugiu. No depoimento, segundo o delegado, Nunes disse que ficou desesperado, com medo de Iasi avisar a polícia, e atirou em Glauco e, depois, em Raoni. Mesmo ferido, o cartunista reagiu e foi novamente baleado.

Em seguida, Nunes teria fugido para o "meio do mato", onde permaneceu escondido até 5h de domingo (14). De lá, foi para o bairro do Campo Limpo, na zona sul da capital, de onde iniciaria a fuga. Na região, Nunes rendeu um motorista e levou seu carro.

O acusado pegou a estrada, atravessou todo o Estado do Paraná e, no domingo à noite, em Foz do Iguaçu (PR), trocou tiros com policiais rodoviários que foram informados que o carro dirigido por Nunes era roubado. A intenção do acusado era atravessar a fronteira com o Paraguai.

Após a primeira troca de tiros, Nunes fugiu e, cerca de uma hora depois, teria novamente tentado atravessar a fronteira. Dessa vez, contudo, o acusado foi preso por tentativa de homicídio.

"Dados nebulosos"
O delegado Veras Júnior disse que ainda está comparando dados obtidos por oitivas para saber o que ocorreu. Outros depoimentos ainda serão feitos e dados serão analisados. "Alguns dados ainda estão nebulosos", disse o delegado.

O depoimento de Nunes durou aproximadamente três horas e foi realizado na delegacia da PF em Foz do Iguaçu nesta terça-feira (16). Ele foi ouvido pelos delegados Veras Júnior, de Osasco, e Marcos Paulo Pimentel, da PF em Foz do Iguaçu, e estava acompanhado do advogado, Gustavo Badaró.

O caso
Glauco e Raoni foram mortos a tiros na casa do cartunista, em Osasco (Grande São Paulo), na madrugada de sexta-feira (12). Nunes era conhecido da família por já ter frequentado a igreja Céu de Maria, que segue os princípios do Santo Daime e foi fundada por Glauco.

Segundo o relato das testemunhas, Nunes estava transtornado e delirava. Ele estava armado com uma pistola automática e uma faca. Glauco tentou negociar e chegou a ser agredido.

No meio da discussão, Raoni chegou ao local de carro. Em seguida, Nunes atirou contra pai e filho. Os dois chegaram a ser atendidos no hospital, mas não resistiram e morreram. 

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