Fórum pequeno se prepara para o júri do ano; saiba onde será o julgamento do caso Isabella

Rosanne D'Agostino

Do UOL Notícias
Em São Paulo

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Um plenário com espaço para apenas 77 pessoas deve receber o júri popular do caso que causou comoção nacional. O Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, não é o maior existente na capital, mas é foro competente, onde será realizado, a partir da próxima segunda-feira (22), o julgamento que irá decidir se Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, são inocentes ou culpados pela morte da menina, ocorrida em março de 2008.

A par de pedidos da imprensa e de interessados, como advogados e escolas de direito que pretendiam que o júri fosse televisionado, o juiz Maurício Fossen, que presidirá a sessão pelo 2º Tribunal do Júri de Santana, decidiu que nenhum momento poderá ser transmitido, além do que puder ser escrito de próprio punho dentro do plenário. Nenhuma câmera de TV, fotográfica ou gravador sequer passará pelo portão de vidro da entrada principal.

O juiz também não aceitou que o júri fosse transferido para o Complexo do Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, mais conhecido como Fórum da Barra Funda, maior e mais seguro na opinião de quem acredita que o prédio de Santana não será suficiente para abrigar a curiosidade de mais de 50 veículos de comunicação que se inscreveram para fazer a cobertura e as centenas de pessoas que tentarão acompanhar de perto os cinco dias que definirão o destino do casal.

A preocupação maior no caso é com a preservação do corpo de jurados, aqueles que decidirão de fato a sentença.

Tamanho é documento?
O Estado de São Paulo possui mais de 550 fóruns, muitos deles menores do que o de Santana, mas que já sediaram júris de enorme repercussão. Em 2006, o julgamento do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves pela morte da também jornalista Sandra Gomide, durou três dias em Ibiúna, interior paulista, em um fórum com apenas um plenário.

Assim como ocorreu naquele julgamento, as cadeiras disponíveis foram divididas entre interessados em acompanhar a sessão e familiares, e a menor parte foi destinada à imprensa, obrigada a fazer rodízio. No julgamento do casal Nardoni, jornalistas terão direito a 20 dos 77 lugares. Haverá, porém, uma sala reservada à imprensa dentro do fórum, que tem três andares e garagem. No fórum de Ibiúna, como não havia espaço físico, os profissionais tiveram que revezar os bancos da praça da cidade interiorana com os curiosos. No frio.

O júri do caso Isabella promete ser maior, e não foi por falta de tentativa que não foi transferido para a Barra Funda. Em reunião nesta quinta (18), a comissão de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo disse que chegou a sugerir a Fossen que a sessão fosse realocada, mas que o juiz se sentiu mais tranquilo em realizar o júri no lugar onde já conhece os procedimentos. "Além disso, não houve nenhum pedido, nem da defesa nem da acusação, para que houvesse essa mudança", disse o desembargador Carlos Teixeira Leite.

Veja no infográfico o plenário do Fórum de Santana e quem é quem no júri do ano:

Suzane x Isabella
Em 2000, quando o Fórum da Barra Funda foi entregue pelo governo Mário Covas, era considerado o maior complexo judiciário da América Latina, com mais de 50 Varas onde trabalham cerca de cem magistrados, milhares de servidores, promotores públicos, advogados e policiais. O auditório principal tem capacidade para 250 pessoas. O estacionamento tem vagas para 2.000 carros. Já o Fórum de Santana tem 20 Varas ao todo, com cerca de 850 funcionários.

O tamanho do plenário destinado ao julgamento de Suzane von Richthofen em 2006, na Barra Funda, contudo, não era muito diferente deste, que abrigará o júri dos Nardoni. Eram 80 lugares, disputados por 5.000 interessados. Apesar de um jornalista ter sido detido tentando tirar uma fotografia proibida, aquela sessão transcorreu bem até o fim. A estudante e os irmãos Daniel e Christian Cravinhos foram condenados a penas que ultrapassaram 30 anos de prisão.

Local à parte, o júri de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá promete um grande esquema de segurança. O próprio juiz, que reservou o plenário por uma semana, já requisitou reforço por causa da grande repercussão do caso: solicitou um médico para plantão e uma ambulância, com equipamentos necessários e socorrista, duas viaturas para uso durante os trabalhos de julgamento, aumento no efetivo de agentes de segurança no prédio, para proteger o patrimônio público, e reforço policial.

O

O Tribunal de Justiça já sorteou 40 jurados, dos quais 25 comporão inicialmente o Conselho de Sentença. São 17 homens e 23 mulheres, maiores de 18 anos e residentes em São Paulo. Destes, restarão sete, escolhidos um a um no início da sessão do dia 22. Eles devem ficar reclusos no fórum, onde existe dormitório e refeitório.

Já as 24 testemunhas arroladas por defesa e acusação poderão ter que se hospedar temporariamente no Fórum da Barra Funda. Questionados por jornalistas se o esquema não seria muito cansativo, os membros da comissão de imprensa do TJ amenizaram: cansativo seria dormir em um fórum onde, provavelmente, não haverá sossego por uma semana.

Veja o rol de testemunhas que devem depor no julgamento dos Nardoni

Ana Carolina Cunha de Oliveira - mãe de Isabella
Renata Helena Da Silva Pontes - delegada do 9ª DP (Carandiru) à época do crime
Rosangela Monteiro - perita do Instituto de Criminalística
Paulo Sergio Tieppo Alves - médico do IML (Instituto Médico Legal)
Rosa Maria da Cunha de Oliveira - avó materna de Isabella
Rogerio Neres de Souza - advogado do caso no início
Gabriel Santos Neto - pedreiro de obra vizinha do prédio dos Nardoni
Geralda Afonso Fernandes - vizinha do casal
Carlos Penteado Cuoco - médico do IML
Laercio de Oliveira Cesar - médico do IML
Marcia Iracema Boschi Casagrande - perita
Sergio Vieira Ferreira - perito
Monica Miranda Catarino - perita
Calixto Calil Filho - Delegado titular do 9º DP à época do crime
Luiz Alberto Spinola de Castro - chefe de investigadores do 9º DP à época
Jair Stirbulov - investigador do 9º DP
Walmir Teodoro Mendes - investigador do 9º DP à época
Theklis Caldo Katifedenios - investigador do 9º DP à época
Claudio Colomino Mercado - agente policial
Adriana Mendes da Costa Porusselli - escrivã do 9º DP
Paulo Vasan Gei - escrivão do 9º DP
Rogério Pagnan - jornalista
Duas testemunhas sigilosas X

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