"Vou pedir só Justiça, nada além disso", diz promotor do caso Isabella; júri ocorre nesta segunda

Rosanne D'Agostino

Do UOL Notícias
Em São Paulo

“A lei diz que, no Brasil, matar alguém é crime. Eu vou pedir só Justiça, nada além disso.” A afirmação é do promotor Francisco Cembranelli, que não esconde: vai pedir a condenação de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá nesta segunda-feira (22), no que é considerado o júri do ano e que vai decidir se o casal, pai e madrasta da menina Isabella, são culpados ou inocentes de um crime que chocou a opinião pública em março de 2008.

Tudo sobre o julgamento

  • Caio Guatelli/Folha Imagem - 11.04.2008

    Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, são acusados de homicídio doloso

Para o promotor, Isabella foi jogada pela janela do 6º andar do edifício London, na zona norte da capital paulista, pelo pai. Antes, foi esganada pela madrasta e agredida por ambos. O casal nega as acusações e se diz inocente. Em entrevista ao UOL Notícias, o promotor afirma que há provas categóricas de que, desde que sua denúncia foi apresentada em maio de 2008 por homicídio triplamente qualificado, nada mudou.

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“Esse caso já era para ter sido julgado. Só não foi porque a defesa recorreu. Vem sistematicamente recorrendo. Sempre tentando obstar o andamento do processo. A defesa até hoje não conseguiu um voto sequer nem em São Paulo nem em Brasília. Isso mostra que todo o trabalho que eu fiz foi respaldado pela lei”, afirma Cembranelli.

“Agora, todo meu trabalho rui se o jurado desconsiderar a prova e prolatar uma decisão, na minha opinião, injusta. Se isso acontecer, todo esse trabalho gigantesco, claro, cai por terra, Mas isso foge da minha alçada.”



Com uma experiência de mais de mil júris, Cembranelli diz não preferir mais homens ou mais mulheres no corpo de jurados. Também não acredita que já cheguem com uma opinião formada sobre o caso. “Todo mundo tem a sua ideia, uma ideia baseada um pouco do que recebeu da imprensa. Mas o jurado, antes de ele sentar ali, ele é cidadão. Assiste ao jornal, lê revista. Claro que ele tem algumas informações. O júri vai permitir a ele uma carga a mais de informações, que vai ser transmitida pelas partes. Ele vai pegar essa carga e comparar com o que ele já ouviu. E vai estabelecer a sua própria verdade. Eu acredito piamente que ele, quando for julgar, vai ter conhecimento total do processo, como eu tenho, e saberá exatamente o que estará fazendo.”

Preparando-se para o julgamento que considera o “mais emblemático da história jurídica do Brasil”, Cembranelli diz que não escolheu ocupar essa posição. “Isso tudo foi crescendo independentemente da minha vontade. Eu nunca procurei ninguém para dar entrevista, nunca pedi para divulgar o caso. Isso ocorreu naturalmente. Mas eu nunca me afastei das minhas funções. Eu tenho 700 processos comigo, faço júri toda semana. Nem nos momentos mais críticos da investigação eu estive ausente da minha função normal, cotidiana. Eu atuo no júri há 22 anos e vou atuar pelos próximos 15 anos até a minha aposentadoria.”

O promotor também nega que vá escrever sobre o caso quando estiver encerrado. “Não me sentiria bem em ganhar algum dinheiro, alguma fama, alguma projeção por causa disso. Eu procuro me manter equilibrado.” E defende sua atuação até agora, com a data do júri marcada. “Não há qualquer reparo ao trabalho que eu fiz. O caso já chegou até o Supremo [Tribunal Federal]. Tudo o que eu propus é mantido íntegro, sem nenhum se não, nenhuma ressalva.”

Já sobre as declarações que chegaram a ser feitas por Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá durante o processo, de que teriam sido vítimas de arbitrariedade de policiais, é tácito: "Bravata". "Como o réu não presta compromisso de dizer a verdade e pode ficar em silêncio se quiser, acusar o delegado, o policial, é fácil. Que prova ele tem? Eu tenho prova de bom trabalho, que foi reconhecido. E hoje o trabalho dos peritos serve de referência para todos os institutos de criminalística do Brasil. Eles vivem sendo convidados para dar palestra e explicar toda a metodologia aplicada no caso. Para você se defender tem que desmoralizar o outro sem prova? Isso eu não acho justo", diz Cembranelli.

“O que eu fiz foi respeitar a lei, e o que eu vou fazer no dia do julgamento é pedir respeito à lei. A lei diz que, no Brasil, matar alguém é crime. É o que está escrito no artigo 121 do Código Penal. E é assim que eu vou me dirigir ao júri. Eles têm que entender todo o trabalho que foi feito, 40 profissionais trabalharam, e agora é o momento de apresentá-lo à sociedade, que tem o poder que julgá-los. Eu vou pedir só Justiça, nada além disso.” 

Veja o rol de testemunhas que devem depor no julgamento dos Nardoni

Ana Carolina Cunha de Oliveira - mãe de Isabella
Renata Helena Da Silva Pontes - delegada do 9ª DP (Carandiru) à época do crime
Rosangela Monteiro - perita do Instituto de Criminalística
Paulo Sergio Tieppo Alves - médico do IML (Instituto Médico Legal)
Rosa Maria da Cunha de Oliveira - avó materna de Isabella
Rogerio Neres de Souza - advogado do caso no início
Gabriel Santos Neto - pedreiro de obra vizinha do prédio dos Nardoni
Geralda Afonso Fernandes - vizinha do casal
Carlos Penteado Cuoco - médico do IML
Laercio de Oliveira Cesar - médico do IML
Marcia Iracema Boschi Casagrande - perita
Sergio Vieira Ferreira - perito
Monica Miranda Catarino - perita
Calixto Calil Filho - Delegado titular do 9º DP à época do crime
Luiz Alberto Spinola de Castro - chefe de investigadores do 9º DP à época
Jair Stirbulov - investigador do 9º DP
Walmir Teodoro Mendes - investigador do 9º DP à época
Theklis Caldo Katifedenios - investigador do 9º DP à época
Claudio Colomino Mercado - agente policial
Adriana Mendes da Costa Porusselli - escrivã do 9º DP
Paulo Vasan Gei - escrivão do 9º DP
Rogério Pagnan - jornalista
Duas testemunhas sigilosas X

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