Advogado quer acareação entre mãe de Isabella e casal Nardoni; para acusação, pedido é "desumano"

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias*

Em São Paulo

O advogado Roberto Podval, que representa o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá em juri popular pela morte da menina Isabella, pediu nesta segunda-feira (22), que Ana Carolina Oliveira, mãe da menina, seja mantida confinada no fórum como testemunha para que haja uma acareação entre ela e o casal.

O pedido foi feito ao final da sessão do julgamento desta segunda-feira (22) no 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana. Esse julgamento irá decidir se pai e madrasta de Isabella --que morreu ao cair do 6º andar do Edifício London, zona norte de São Paulo em 2008-- são culpados ou inocentes pela morte da menina.

O advogado do casal que pediu que Oliveira seja mantida no fórum ouviu protestos por parte do Ministério Público. O promotor Francisco Cembranelli classificou o pedido de "desumano". “É desumano. Ela vai ser privada de assistir ao julgamento dos assassinos. Vai sofrer bastante, vai ficar sozinha, isolada. Ela está sob acompanhamento psicológico”, disse o promotor. “Faltou um pouco de bom senso.”

O juiz Maurício Fossen, que preside o julgamento, tentou ponderar com a defesa, mas, diante da insistência, concedeu o pedido.

No único depoimento de testemunha realizado nesta segunda-feira, a mãe de Isabella Nardoni chorou por pelo menos três vezes, provocou o choro de ambos os réus e relatou o amor de Alexandre pela filha e o ciúme que a madrasta teria da relação do marido com a menina e com sua ex-mulher.

 

O depoimento começou por volta das 19h30 e terminou às 21h50 e foi tomado pelo juiz Maurício Fossen. O júri foi interrompido após o depoimento de Oliveira e deve ser retomado nesta terça-feira (23), a partir das 9h, com outras testemunhas de acusação.

Segundo Ana Oliveira, haveria uma disputa de Jatobá pela atenção de Alexandre em relação à menina Isabella. Ana Oliveira evitou citar o nome da madrasta, se referindo a ela apenas como "Jatobá" na maior parte das vezes.

Ainda de acordo com Oliveira, haveria uma disputa da madrasta pela atenção de Alexandre em relação à menina Isabella. "A mãe dele contava para a minha mãe que ela tinha ciúme da Isabella, que ela disputava a atenção dele com ela.

De acordo com Oliveira, na presença de Jatobá, Alexandre Nardoni tinha um comportamento diferente. "Quando ela não ia com ele [Alexandre] buscar a Isabella, o comportamento era completamente diferente". Ana Carolina disse, porém, que Alexandre ligava para Isabella apenas durante a semana. "Ela [Isabella] não funcionava em horário comercial."

Saiba mais sobre os procedimentos adotados para o julgamento

Júri deve durar até 5ª feira, mas o juiz que preside o julgamento reservou plenário por mais dias
Os jurados ficam confinados até o final do julgamento no fórum, onde há dormitórios e refeitórios
Estão envolvidos no julgamento 23 funcionários do cartório do júri, 12 agentes de fiscalização, dois médicos, uma enfermeira, três estenotipistas (que transcrevem as falas), 16 oficiais de justiça, três funcionários da administração, quatro da copa e cinco assessores de imprensa
Ao final de todos os depoimentos, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. De posse do veredicto, Maurício Fossen irá dosar a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres

Veja o rol de testemunhas que devem depor no julgamento dos Nardoni

Ana Carolina Cunha de Oliveira - mãe de Isabella
Renata Helena Da Silva Pontes - delegada do 9ª DP (Carandiru) à época do crime
Rosangela Monteiro - perita do Instituto de Criminalística
Paulo Sergio Tieppo Alves - médico do IML (Instituto Médico Legal)
Rosa Maria da Cunha de Oliveira - avó materna de Isabella
Rogerio Neres de Souza - advogado do caso no início
Gabriel Santos Neto - pedreiro de obra vizinha do prédio dos Nardoni
Geralda Afonso Fernandes - vizinha do casal
Carlos Penteado Cuoco - médico do IML
Laercio de Oliveira Cesar - médico do IML
Marcia Iracema Boschi Casagrande - perita
Sergio Vieira Ferreira - perito
Monica Miranda Catarino - perita
Calixto Calil Filho - Delegado titular do 9º DP à época do crime
Luiz Alberto Spinola de Castro - chefe de investigadores do 9º DP à época
Jair Stirbulov - investigador do 9º DP
Walmir Teodoro Mendes - investigador do 9º DP à época
Theklis Caldo Katifedenios - investigador do 9º DP à época
Claudio Colomino Mercado - agente policial
Adriana Mendes da Costa Porusselli - escrivã do 9º DP
Paulo Vasan Gei - escrivão do 9º DP
Rogério Pagnan - jornalista
Luiz E. Carvalho - 1º policial militar a chegar na cena do crime

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