"Eles serão absolvidos com certeza", diz advogado que integra defesa do casal Nardoni

Rosanne D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo


Atualizado às 12h56


Júri começa nesta segunda-feira

O advogado Ricardo Martins, que defende Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá junto com o advogado Roberto Podval, disse nesta segunda-feira (22) não ter dúvidas da absolvição de seus clientes, acusados pela morte da menina Isabella Nardoni, 5, em março de 2008, filha de Alexandre.

“Eles serão absolvidos com certeza. Não há nenhuma prova que ligue o casal a este crime. Não há nenhuma perícia crucial, como o próprio promotor admitiu há poucos dias do júri. Além disso, há inúmeros falhas nesse processo", afirmou.

O Fórum de Santana realiza hoje, a partir das 13h, o julgamento que decidirá se Nardoni e Jatobá são culpados ou inocentes pela morte de Isabella, jogada do 6º andar de um prédio na zona norte de São Paulo. Dois anos depois do crime que parou o país, o casal responde por homicídio triplamente qualificado.

Para Martins, a cobertura da imprensa sobre o caso pode influenciar na decisão do júri. “Eu estou certo que se os jurados estiverem dispostos a ouvir as provas eles vão absolver. Agora, se vierem pensando só no que a imprensa tem dito ao longo desse tempo todo, aí até eu teria um monte de dúvidas”. Questionado se há hipótese de o casal confessar o crime, o advogado disse que é impossível. “O casal não irá confessar algo que não fez."

Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, 5, chegou ao Fórum de Santana por volta das 11h15 desta segunda-feira (22). Ela é considerada a testemunha-chave da acusação no julgamento.

 

Oliveira chegou de carro, não falou com a imprensa e entrou por uma entrada lateral do fórum, acompanhada pelo pai, José Arcanjo de Oliveira, e pela advogada, Cristina Christo Leite, que também é assistente de acusação no caso.

O promotor do caso, Francisco Cembranelli também já chegou no fórum e não falou com a imprensa. “Ana, que conhece melhor do que ninguém os protagonistas de tudo isso, conviveu durante um tempo com um dos réus [Alexandre]. Depois, com a outra ré, também teve contato [Anna Jatobá]. Ela conhece bem toda a história de vida dessas pessoas", afirma o promotor.

"E ela, conhecendo e sabendo detalhes de cada um, estabeleceu a sua própria verdade, que é a nossa verdade. Então, ela apoia a tese da Promotoria. A sua opinião é de que aconteceu tudo que eu descrevi na denúncia e é por isso que ela está arrolada também como uma testemunha desse processo”, complementa.

Já Antônio e Cristiane Nardoni, respectivamente pai e irmã de Alexandre, chegaram ao fórum sob vaias, por volta de 12h50, e não falaram com a imprensa.

Chegada do casal ao fórum
O comboio policial que transportava Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá chegou à capital paulista por volta de 8h20, depois de deixar a cidade de Tremembé, no interior de São Paulo. O casal foi levado para o fórum e ficará em salas separadas na ala da carceragem do prédio até o início do julgamento. 

Anna Carolina saiu da penitenciária feminina de Tremembé por volta das 6h20. Os policiais passaram, em seguida, na penitenciária onde estava Alexandre Nardoni. Eles seguiram em carros separados da Polícia Militar, em comboio pela rodovia Carvalho Pinto.

A estimativa do tribunal é que o julgamento dure até cinco dias. Nesta segunda, deve ir até por volta das 21h, e nos outros dias será retomado às 9h. 

A movimentação em frente ao fórum ainda é pequena. Algumas crianças seguram cartazes com mensagens para Isabella.

Para o promotor, Isabella foi jogada pela janela do 6º andar do Edifício London, na zona norte da capital, pelo pai. Antes, foi esganada pela madrasta e agredida por ambos. O casal, que responde por homicídio triplamente qualificado e fraude processual (por alterarem a cena do crime com o objetivo de enganar a Justiça), nega as acusações e se diz inocente (Entenda as acusações).

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Para decidir o destino do casal, sete jurados serão escolhidos entre 17 homens e 23 mulheres. Eles ouvirão 24 testemunhas arroladas por defesa e acusação. O júri deve contar com um vídeo contendo a simulação do crime e uma maquete do edifício, trazidos pela Promotoria, e com objetos encontrados no apartamento e outros, como a tela de proteção da janela, requeridos pela defesa.

Uma das faixas da avenida Engenheiro Caetano Álvares está interditada desde as 18h de domingo, onde fica o Fórum de Santana. Um esquema rígido de segurança foi adotado em razão do clamor público do caso. No plenário, 77 lugares aguardam a imprensa, familiares e curiosos, que conseguiram senhas para assistir ao julgamento. A transmissão está proibida.

Entenda como funcionará o Tribunal do Júri
O primeiro passo é o sorteio dos jurados. Dos 25 presentes, sete serão escolhidos por defesa e acusação para compor o Conselho de Sentença. É ele quem decide se os réus são culpados ou inocentes.

No início da sessão, os advogados podem apresentar motivos para suspender o julgamento. Um deles deve ser a ausência do pedreiro de uma obra vizinha ao Edifício London, testemunha arrolada pela defesa e que não foi encontrada. Se o juiz não aceitar o adiamento, são ouvidos os réus, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que podem dar sua versão dos fatos ou permanecerem em silêncio.

Veja a seguir o plenário onde ocorrerá o júri e quem é quem no infográfico:

Em seguida, serão ouvidos 24 depoimentos, entre eles, o da mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, considerada testemunha-chave da acusação. Esta deve ser a fase mais longa do júri, até que comecem os debates. Neles, defesa e acusação possuem três horas cada para apresentarem seus argumentos. Se o Ministério Público pedir réplica, de uma hora, a defesa tem direito à tréplica, também de uma hora.

Ao final, o júri se reúne em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidirão se o casal cometeu o crime, se pode ser considerado culpado pela atitude, e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. De posse do veredicto, Maurício Fossen irá dosar a pena com base no Código Penal. Se houver absolvição, os Nardoni deixam o tribunal livres.

Saiba mais sobre os procedimentos adotados para este julgamento:

Alexandre e Anna Jatobá serão transferidos de presídios de Tremembé (a 138 km de SP), onde estão presos, até o Fórum de Santana, sob esquema de segurança especial
Os réus ficam na carceragem do fórum até a hora do julgamento
Iniciada a sessão, são sorteados sete jurados que comporão o Conselho de Sentença. Em seguida, o plenário é aberto à imprensa
O júri popular deve durar pelo menos três dias. O juiz Maurício Fossen, que preside o julgamento, reservou o plenário por uma semana
Enquanto não são ouvidas, as testemunhas aguardam no fórum. Podem ter que dormir no próprio fórum, no Fórum da Barra Funda, zona oeste, ou em um hotel. Depois, são dispensadas
Os jurados permanecem confinados até o final do julgamento no fórum, onde há dormitórios e refeitórios
O casal deve dormir em unidades prisionais na capital, ainda a serem definidas
Estão envolvidos no julgamento 23 funcionários do cartório do júri, 12 agentes de fiscalização, dois médicos, uma enfermeira, três estenotipistas (que transcrevem as falas), 16 oficiais de justiça, três funcionários da administração, quatro da copa e cinco assessores de imprensa

Veja o rol de testemunhas que devem depor no julgamento dos Nardoni

Ana Carolina Cunha de Oliveira - mãe de Isabella
Renata Helena Da Silva Pontes - delegada do 9ª DP (Carandiru) à época do crime
Rosangela Monteiro - perita do Instituto de Criminalística
Paulo Sergio Tieppo Alves - médico do IML (Instituto Médico Legal)
Rosa Maria da Cunha de Oliveira - avó materna de Isabella
Rogerio Neres de Souza - advogado do caso no início
Gabriel Santos Neto - pedreiro de obra vizinha do prédio dos Nardoni
Geralda Afonso Fernandes - vizinha do casal
Carlos Penteado Cuoco - médico do IML
Laercio de Oliveira Cesar - médico do IML
Marcia Iracema Boschi Casagrande - perita
Sergio Vieira Ferreira - perito
Monica Miranda Catarino - perita
Calixto Calil Filho - Delegado titular do 9º DP à época do crime
Luiz Alberto Spinola de Castro - chefe de investigadores do 9º DP à época
Jair Stirbulov - investigador do 9º DP
Walmir Teodoro Mendes - investigador do 9º DP à época
Theklis Caldo Katifedenios - investigador do 9º DP à época
Claudio Colomino Mercado - agente policial
Adriana Mendes da Costa Porusselli - escrivã do 9º DP
Paulo Vasan Gei - escrivão do 9º DP
Rogério Pagnan - jornalista
Duas testemunhas sigilosas X

 * Com informações de Daniela Paixão, Agência Estado e Folha Online.

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